Para a Meg terça-feira, 4 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
Maria Gabriela Llansol 1931-2008
(Maria Gabriela Llansol - Lisboaleipzig 2)
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Lembranças
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sábado, 1 de março de 2008
Cata-Ventos

Rio x Havana: qualquer semelhança é mera pobreza.
Adelaide Amorim, n'O bem, o mal e a coluna do meio
Allan Robert, no Carta da ItáliaMini 92
Jayme Serva, no Dito assim parece à toaPorque hoje é sábado (Vol. V)
Milton Ribeiro, no MRDesconfio
Peri S.C., no Armazém peri s.c.
Rio das Flores
Capitão-Mor, no Portuga nos Trópicos
(Nota: Blogs do Brasil)
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1 ano de Afinidades Efectivas
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Shy boy
(Katie Melua - Shy Boy)
If this was a quiz on a tv show
And the prize was a guy who would love me so
Whatever they ask, the answer, i know
Hey, my reply, boy
Is give me a shy boy
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Observatório III

Estas palavras poderiam ter sido escritas por qualquer um - salvo as devidas distâncias - quanto ao sentimento de desencanto que exprimem pela classe política, na sua generalidade. Seriam naturais a todos os que sentem essa desilusão e seriam muitos os que as escreveriam hoje, não derivando daí nenhuma catástrofe.
Catastrófico, tsunâmico mesmo, é o facto de este pensamento ter mais de 140 anos e ter sido escrito pelo bom do Eça (esse, de Queirós), em 1867, num artigo no Distrito de Évora, comentando o desalento, já então, sobre a qualidade dos (des)governantes da época.
É a (infelizmente) curiosa actualidade deste sentimento ancestral, em relação aos políticos de hoje, que me fez sorrir quando o li primeiro (ah! afinal não é de agora) e, a seguir, quando o reli, me fez reflectir com tristeza. Estava a ver um retrato actual, mascarado a preto e branco ou em tons sépia esbatido.
E vieram-me à memória, em catadupa, os Portucale, Moderna, BCP, o recentíssimo alegado golpe palaciano dos terrenos do Casino de Lisboa, tantos que, de repente, lhes esquecemos os nomes, mas não conseguimos deixar de sentir o amargo na boca, mal ressacados depois de uma noite longa de mau vinho.
Mas lá vamos, daqui a um ano, cumprir o nosso dever(zinho) cívico, dar o nosso contributo à democracia(zinha), continuar a engordar os porquinhos que se enchem nas nossas barbas e à nossa custa, sem o mais pequeno pudor!
Até quando, Eça, até quando?
(Imagem: Chema Madoz - fotografia)
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
A kiss is just a kiss?
(Casablanca)
Aqui discute-se se um beijo é apenas um beijo, ou não. Não resisti a trazer para aqui o assunto, porque sobre isto não tenho a menor dúvida: um beijo, consentido e com sentido, nunca é "só" um beijo. É um vocábulo explícito, de uma linguagem planetária e inequívoca. Encerra sempre, num molde indestrutível, o desejo que o forjou. Traz em si memórias de beijos sonhados e expectativas de beijos futuros. E mesmo que não tenha passado nem futuro, cada beijo é, por si só, um universo.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
O poder de um sorriso
Smile, though your heart is aching, smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky, you'll get by...
If you smile with your fear and sorrow, smile and maybe tomorrow
You'll find that life is still worthwhile, if you just...
Light up your face with gladness, hide every trace of sadness
Although a tear may be ever so near
That's the time you must keep on trying, smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile, if you just...
Smile, though your heart is aching, smile, even though it's breaking
When there are clouds in the sky, you'll get by...
That's the time you must keep on trying, smile, what's the use of crying
You'll find that life is still worthwhile
If you just smile.
(Nota: Para a minha amiga S., que perdeu o sorriso algures entre duas lágrimas. E eu quero voltar a vê-lo.)
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Meia dúzia de nadas
Lá me apanharam em mais uma corrente. Mas, vinda da Leonor, não posso recusar. Assim, deixo aqui as tais "6 insignificâncias" sobre a minha pessoa, que não interessam a ninguém mas que tiveram o mérito de me fazer olhar para dentro. São estas:- Demoro muito a "sair" de um filme de que gostei. Quando se acendem as luzes da sala de cinema e olho à minha volta, tudo me parece estranho: as pessoas, as conversas, o ambiente. Às vezes, um dia inteiro não chega para voltar à realidade. Acontece-me o mesmo com alguns livros.
- Adoro flores amarelas: rosas, frésias, narcisos, túlipas.
- O mar faz-me uma falta física: se estou muito tempo afastada, começo a entristecer perigosamente.
- Perco-me por tapetes orientais. E por chocolates.
- Nada tem a capacidade de me comover como a música. E pode ser qualquer uma a ter este efeito, desde a erudita ao fado.
- Sou a pessoa mais distraída do mundo, mas sou boa fisionomista. Raramente esqueço uma cara e tenho a mania de encontrar semelhanças entre as pessoas.
- Em Itália, sinto-me em casa. Mas é a Índia o meu grande desafio.
E pronto. Eu sei que são 7 e não 6, mas eu gosto mais do número 7 (outra mania minha, também). Passo o desafio ao Pedro Viegas, à Rosarinho, ao Paulo, à Musqueteira, à Meg, à Sofia e ao Pedro SB, que é da casa e por isso responderá aqui mesmo. Se lhe apetecer, claro, como aliás todos os outros.
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Cata-Ventos

Cecilia Bartoli
Francisca Cunha Rêgo, no Blogue do JL
JG, no Zoo Bizarro
O vento que passa fora do Ashram
O Jansenista, n' O Jansenista
O Flagelo dos Plágios
O Réprobo, no Afinidades Efectivas
Parole
Rui Bebiano, n' A Terceira Noite
100% Dignidade
Jorge Rosmaninho, no Africanidades
O Princípio do Fim
Daniel Oliveira, no Arrastão
Equilíbrio Instável
Legível, no Papel de Fantasia
As time goes by
LBP, no Lord Broken-Pottery
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Observatório II
Outro artigo, desta vez vindo da Finlândia, referia ter
um tribunal invalidado a decisão de um condomínio, que proibia os residentes de fumarem na varanda, depois de uma contenda judicial que durou 2 anos.Fumador convicto desde os meus 15 anos, há muitos, portanto (sim, eu sei que faz mal e que já perdi não sei quantos anos de vida), pensei logo: Pronto! Estamos tramados! Se o Sr. Francisco Ex-Fumador George e o Sr. Não Sei Quantos Abstémio Sakelarides, eminências lusas em saúde pública e defensores acérrimos da nossa saúde privada (sim, eu também sei que a sua preocupação com a minha saúde é, deveras, genuína) sabem disto, não vai faltar muito para só podermos fumar na casa de banho de nossa casa, o que até acho graça e me faz voltar aos meus tempos de miúdo, quando comecei a dar as primeiras passas, precisamente às escondidas, na casa de banho (que tinha janela grande e dava para disfarçar o cheiro a tabaco).
Aí, vai ser vê-los a darem a mão ao Sr. António Fundamentalista Nunes e (ah, ASAE dum caneco, que não vais ter mãos a medir!) vamos ter o problema do desemprego resolvido, a promessa dos 150.000 postos de trabalho cumprida, toda a gente satisfeita, com tanto inspector caçador de relapsos fumadores que vai ser preciso arranjar.
E vamos ter, finalmente, o País com uma saúde de ferro, liberto de monóxidos e de viciados à porta de centros comerciais e de restaurantes, todos enclausurados nas suas casas de banho privadas.
O resto, pode continuar uma merda. Mas teremos uma saúde de primeira.
Pedro Silveira Botelho
(Nota: Gravura roubada no Afinidades Efectivas. A César o que é de César, meu amigo Paulo!)
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
O poder das circunstâncias
Fui ver o filme "Expiação", uma história que confirma uma vez mais como a vida se faz mais de circunstâncias do que de vontades.
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Momento ainda mais narcísico
(Bocage)
Prometo que não falo mais no assunto, mas não resisti.
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Sunday, bloody Sunday
Sou mais parecida com este. 
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domingo, 17 de fevereiro de 2008
Começar a vida
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Momento narcísico
1. Tenho imensa curiosidade de ouvir isto!
2. Para todos os que me têm perguntado, o meu livro Gente do Sul já está nas livrarias. Aqui ficam algumas sugestões:
- Livraria Buchholz (à Alexandre Herculano)
- Livraria Barata (Av. Roma)
- Livraria Salesiana (C. Ourique)
- Livraria Obras Completas (Carnaxide/Linda-a-Velha)
- Livraria Galileu (Cascais) Pronto. Já passou.
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sábado, 16 de fevereiro de 2008
O triunfo dos Gatos
Esta constatação reflecte um fenómeno que alguém, algum dia, se dará ao trabalho de estudar. Tenho-me dado conta de que há uma imensidão de blogs que glorificam os pequenos felinos, e o mais engraçado é que são, muitos deles, os blogs e os bloggers com quem eu descubro mais afinidades. Se quisesse dar-me ao trabalho de extrair da minha lista os links para os amantes de gatos, tenho a certeza de que a percentagem me deixaria de boca aberta. Para citar só alguns exemplos de entre os que visito regularmente, este, este, este, este, este e este. E isto tem que querer dizer alguma coisa.
Ora, eu fui educada a não gostar de gatos. Em casa dos meus pais a primazia sempre foi para os cães e, durante muitos anos, esses cães eram galgos. O meu pai era um exímio cavaleiro e um apaixonado por caçadas às lebres, prazer que só abandonou depois de uma fractura grave numa perna, devida à queda de um cavalo. Mas os galgos ficaram por lá, correndo no pátio de casa atrás dos (muitos) gatos da vizinhança. Lembro-me bem do Aquiles, do Falcão, da Torrinha, do Tango, do Raiado, da extrema elegância dos corpos longilíneos e musculados num quase voo rasante, perseguindo, a uma velocidade alucinante, os pobres gatos que se atreviam a entrar por entre as grades do portão e só paravam, salvos de morte certa, no galho mais alto de uma das árvores. Depois dos galgos vieram os labradores, os pastores alemães, os grand danois.
Eu adorava animais: tive em casa toda a espécie de bicharada, desde o impossíveil Pirueta, um coelho que se escondia na prateleira mais alta da estante e que corria loucamente pela casa toda (milagrosamente, nunca foi comido por nenhum dos cães), ao incómodo Xico, um cabrito bebé que trepava a sofás e mesas e que os meus pais condenaram rapidamente ao prato, sem eu saber. Pelo meio, rãs, lagartixas, mochos e até ratos, todos criei com desvelo, em caixas de sapatos ou gaiolas, até se transformarem em insuportáveis adultos que todos odiavam, menos eu. Mas esse afã de maternidade precoce nunca incluiu gatos.
Não nego que acho os gatos, como todos os felinos, animais lindos. Que admiro neles a natureza livre e indomável, a orgulhosa recusa em bajular os donos, a independência emocional. E até penso que, por definição, os gatos teriam mais a ver comigo do que os cães. Mas a verdade é que isso não acontece, e a explicação para esse mistério só poderá estar numa infância despovoada de gatos (ou povoada de gatos que não eram mais do que negaças para treino dos galgos), em que os cães eram os reis absolutos da casa. (Fotografia encontrada aqui)
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Criação
"Vivemos adormecidos num mundo sonolento. Mas se um tu murmurar ao nosso ouvido, é isso o que sacode as pessoas: o eu desperta graças ao tu. A eficácia espiritual de duas consciências simultâneas, reunidas na consciência do seu encontro, escapa à causalidade viscosa e contínua das coisas. O encontro cria-nos: não éramos nada - ou nada mais que coisas - antes de estarmos juntos."
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Cata-Ventos
Por que outra razão fariam isto às pessoas?
Cristina Ferreira de Almeida, no Corta-Fitas
Se o ridículo matasse
João Távora, no Corta-Fitas Namoro
Leonor Barros, no A Curva da Estrada
Azia, no Azeite & Azia Animais
Ricardo A. Alves, no Abencerragem. Às vezes esqueço-me
Mad, no Juro que tenho mais que fazer Noite de regresso
Sofia, n'O meu cais Será que estou?
Ernesta, no Cabra de Serviço E pronto. Para a semana há mais.
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Love hurts...
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Observatório (I)
É comum dizer-se que a vaidade humana é incontornável. Pois bem, sendo humano, tenho por inerência a minha dose de vaidade e, mesmo resistindo a princípio, aqui estou a ‘postar’ pela primeira vez, qual debutante em baile de iniciação.Mas, por muito pouco vaidoso que possa ser, o que, por acaso, até é verdade, não resisti a comentar um artigo da imprensa da semana passada, que me encheu as medidas, pelas más razões.
Este artigo teve honras de capa da Visão (Edimpresa, favor creditar os royalties de publicidade na minha conta do costume) de 7 de Fevereiro, com o título ‘O Lado Obscuro dos Transplantes’ a encimar uma fotografia do cirurgião Eduardo Barroso, com um de três subtítulos que referia ter este senhor ganho 277.000€ (sim, duzentos e setenta e sete mil euros) em prémios (fora ordenado e outras mordomias) no ano passado.
Entrando no artigo, que cognomeia o cirurgião como ‘O euromilhões dos transplantes’, percebe-se que a lista de espera de transplantes cirúrgicos de várias especialidades tem diminuído (mas não muito, que é para não nos habituarmos mal) não por melhoria de racionalização de serviços e meios, não por melhoria de racios de produtividade derivados de maior profissionalismo, mas sim porque o nosso Estado(zinho) se lembrou, já ao tempo do saudoso (lagarto, lagarto) Guterres, de criar uma lista de incentivos com valores unitários por transplante, qual açougue de preçário à porta, variável conforme o Hospital. O aqui visado é o Curry Cabral, em que um transplante de fígado, pulmões ou medula vale 54.860,00€ (desculpem-me, mas ignorei, por baixo, os trocos), do coração 24.930,00€, pâncreas 14.960,00€, 12.460,00€ por cada cada rim e por aí fora, até à córnea que só vale uns míseros 1.596,00 euritos.
Estes incentivos são pagos ao Hospital ‘transplantador’, sendo que 48% vão parar aos bolsos da equipa interveniente. Em valores líquidos.
Assim, em contas de merceeiro, sai-nos (contribuintes pagantes) mais barato que o vizinho resolva lá o problema dos..., perdão, da córnea, do que aquelas náuseas figadais (em bem te tinha avisado que um bagaço ao pequeno almoço era capaz de não te fazer lá muito bem) que nos saem um balúrdio. A equipa médica é que esfrega as mãos de contente...
Pasmo ainda, e por isso o cognome e aquela ‘massonga’ toda, que o incentivo pessoal deste cirurgião é de 21% sobre o valor arrecadado em cada intervenção (eu, se fosse um dos outros membros da equipa, ficava fu... lo, a ter que dividir 79% por tanta gente, pois até os administrativos também estão no bolo) mesmo, pasmem mais agora, que não tenha saído do sofá cosy da sua casa cosy. E esta, hein? (Ah, Peça, Peça). Pois não é que este senhor já não é director de serviços do Hospital, estando a servir a Nação como Presidente da Autoridade de Transplantação, a convite do nosso (?) Engenheiro, continuando a dar uma perninha, desculpe, mãozinha em situações excepcionais sempre que o arrancam do seu cosy sofá, porque alguma coisa se complicou, o que é raro (em 2007 foram aí uma dezena de vezes), segundo diz, e ainda bem, continua, pois ‘é sinal que estão a conseguir fazer o transplante sozinhos.’.
Não tenho nada contra o Eduardo Barroso, sinceramente. Até o acho simpático e sei que é um excelente cirurgião. Também gosta de charutos, é um bom garfo e gosta da boa vida. Como eu. E até, dito pelo próprio, acha estes incentivos um exagero. Como eu. Até já disse à administração do hospital que, a manter-se este ritmo de transplantes, ‘temos que diminuir o tecto dos prémios’. Se o não fizerem, digo eu, não vai saber o que fazer a tanto dinheiro, digo eu. Até já deu instruções para lhe baixarem a sua percentagem em 3%.
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Ventos de feição
A partir de agora, o Porta do Vento contará com 2 novas rubricas:
1. Observatório
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terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Ainda a propósito de aniversários...
Ter um sorriso nos lábios e uma flor na lapela.
Jean-Louis Fournier
(O humor corrosivo de Jean-Louis Fournier, roubado no Zoo Bizarro , o blog do meu amigo JG)
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Chega de Saudade... 30 anos depois
(João Gilberto e Tom Jobim - Chega de Saudade)
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
Domingo
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Parabéns, Roberta Flack
Roberta Flack faz hoje 69 anos. Parabéns! Encheu os meus dias longínquos de canções lindas. Não nego a beleza da celebérrima Killing me softly, mas tem sido tocada e repetida à exaustão e, como acontece nestes casos, fiquei saturada dela. Aqui fica a minha preferida. E continuo na onda da nostalgia, não há dúvida...
(Roberta Flack - The first time ever I saw your face)
Nota: Ofereço esta música ao meu querido cunhadinho Diogo, que faz hoje anos também e está sozinho, desterrado, sem a sua Saidinha. Não me esqueci, vês? E ninguém me lembrou, juro!
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sábado, 9 de fevereiro de 2008
Baleal, um amor antigo
Todos nós temos uma praia. A "nossa praia". Uma espécie de mundo encantado, perdido no tempo, onde estão guardadas, intocáveis, as nossas mais doces lembranças da infância e da adolescência. A minha é, sem dúvida, o Baleal. Estive afastada dela, fisicamente, durante anos. Mas o espaço que este lugar especial teve sempre no meu coração nunca foi ocupado por nenhum outro. Por qualquer razão que desconheço - há forças subterrâneas que não têm explicação simples, e são mais importantes do que pensamos - o Baleal voltou a tornar-se um apelo fortíssimo na minha vida. Sinto-lhe, mesmo de longe, o eterno cheiro a maresia, o vento cortante das madrugadas, a extrema brancura da areia finíssima. Cinco sentidos alerta, à espreita das memórias. Porque todas as velhas memórias se corporizam neste lugar mágico, onde o tempo teima em não passar.
Ando há muito tempo para escrever sobre o Baleal. Mas a minha irmã Madalena descreveu-o assim, e eu nunca o faria melhor. Convido-vos a ler esta declaração de amor à minha praia, à nossa praia de infância:
A Ilha do Baleal é um daqueles sítios alcançados por bafo divino em dia de suprema inspiração, dona de uma beleza natural que, além de absolutamente estonteante, é originalíssima na costa portuguesa (digo eu, que não a conheço toda), e isto só do ponto de vista geográfico e não do resto (ao dito resto iremos, a seu tempo). A Ilha, que não o é, sê-lo-ia quase se não estivesse ligada ao “continente” por uma língua de areia com duas praias – e aqui começa a originalidade, mas nem por sombras se esgota – que se enfrentam, mais que se admiram, mesmo em frente uma da outra.

Nós, os nativos, insistimos em chamar-lhe Ilha, talvez porque há muitos anos quem a frequentava lembra-se bem de chegar ao Redondo e ter que esperar que a maré baixasse para poder atravessar, pois a maré cheia juntava as águas até quase se perder o pé, ou pelo menos até tornar perigosa a travessia, por causa das correntes fortíssimas formadas pela junção das duas águas. O que, aliás, acontece ciclicamente, e é só mais uma das suas originalidades: a Ilha comporta-se como se tivesse vontade própria, transforma-se quando lhe dá na gana, renova a sua imagem, redefine os seus caminhos, o tamanho das suas praias, a quantidade da sua areia, a altura das suas rochas até quase à véspera familiares,provavelmente para nos confundir, nos encantar ou simplesmente nos fazer reapaixonar pelas suas formas renovadas.

Nega sistematicamente – ou não fosse ela um espírito livre – todas as transformações feitas por mão humana, imperfeitas por definição e desígnio divino, como o famigerado pontão para passagem de carros, espécie de cicatriz de uma operação mal conseguida, quase todos os anos reparado porque o mar o enche de areia ou porque lhe tira tanta que lhe faz perigar os alicerces, como se a própria Ilha o rejeitasse como corpo estranho, coisa de tal maneira óbvia que nós, míseros mortais e pouco sabedores dos mistérios da natureza, não alcançamos à primeira vista. Ou talvez porque, no fundo, desejamos que ela realmente venha ser uma ilha perdida nas brumas, inacessível aos milhares de veraneantes atraídos como mariposas pelo seu brilho.

De um lado, a ilha oferece-se ao continente, generosa na fartura das suas praias gémeas – falsas – uma de águas calmas mas perigosas, a outra de águas revoltas e correntes fortes mas previsíveis. Como a mente humana, aliás: toda a Ilha é uma analogia. E ainda nos oferece mais duas praias, uma escondida do primeiro olhar, por ser reduto antigo de barcos de pesca e por definição segura, protectora, aconchegante: a dos Barcos; e outra tão pequena que torna admirável o facto de ter sido baptizada: a das Cebolas, ainda que o seu nome não seja nem remotamente poético.
Do outro lado, aberta ao azul-cobalto, a Ilha mostra a sua face rebelde, gigantesca e sempre agreste, menos moldada às vontades humanas e imune a invasões. É o lado oceânico, com vista para as Berlengas, sua congénere longínqua e ao mesmo tempo ali tão perto, e para os Farilhões, ilhotas desertas e heliporto exclusivo de pássaros marinhos, a eterna inveja da nossa Ilha de alma eternamente selvagem. Ela aponta-lhes a sua proa cortante e abrupta, como se quisesse levantar âncora, imitando penínsulas saramaguianas na desesperada tentativa de se lhes juntar. A prová-lo, a Ilha das Pombas, esta com I maiúsculo por direito próprio, rochedo virgem e rebelde que fugiu das saias da mãe, conseguiu desertar da cobiça humana e buscar uma vizinhança composta exclusivamente por seres marinhos, ou quando muito alados, e fez-se ao mar há já uns bons milhares de anos.
Ainda que de rocha pura, a Ilha tem essência marinha, feminina. É mais feita de mar que de terra – a prová-lo o facto de não haver uma única árvore em todo o seu território, nem mesmo um pessegueiro, ainda que de outros tempos, só tojos raquíticos que sobrevivem à custa de pura teimosia – quase como se criar raízes não calcárias fosse motivo de vergonha para uma ilha que se preze...
É orgulhosa, a nossa Ilha. Não nos quer lá – ou não nos brindasse com tempestades quase de granizo em pleno estio, e só aos parcos mas persistentes visitantes invernais concede raras manhãs ensolaradas, gloriosas, ainda que gélidas. Parece até que considera esta adoração de que é objecto um contratempo, uma contrariedade temporária de que se verá livre rapidamente – para ela o tempo é efémero e o seu não se mede pela mesma medida que o nosso. Uma vida humana é um décimo de segundo. A memória da geração anterior somada a uma vida de agora não é mais que um suspiro.Talvez nos deixe construir casas porque as pintamos de branco, quem sabe as confunde com velas desfraldadas ao vento e conta com elas para sair mar afora, rumo ao pôr-do-sol...

(Fotografias: Mário Cordeiro)
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Mais do mesmo
(Comfortably Numb (live) - Dave Gilmour)
When I was a child I caught a fleeting glimpse,
out of the corner of my eye.
I turned to look but it was gone.
I cannot put my finger on it now.
The child is grown, the dream is gone.
I have become comfortably numb.
Nota: Por sugestão e em honra da Margarida - uma velha amiga que tem andado desaparecida - aqui fica esta preciosidade (fora a pastilha elástica em palco, que se dispensava). Espero que gostem tanto como eu.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Wish you were here
(Pink Floyd - Wish you were here)
So... so you think you can tell Heaven from Hell, blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail? A smile from a veil?
Do you think you can tell?
How I wish, how I wish you were here.
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Palavras minhas
Areia
Madrugada
Baía
Luz
Delícia
Cambraia
Ventania
Pele
Silêncio
Voragem
Ilha
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Violência paga
"O Hospital de Braga cobra 152 euros às vítimas de violência doméstica, apesar de a Lei isentar estes utentes do pagamento de consultas e taxas moderadoras. De acordo com o jornal «Público», o decreto-lei é de Maio de 2007, mas ainda não está regulamentado. Por isso, cada hospital aplica o preceito de maneira diferente.No São João no Porto, as vítimas entram e não pagam. Já em São Marcos, em Braga, recebem a factura da taxa moderadora e uma nota de débito da consulta num total de 152 euros. Isto acontece porque o hospital considera que a vítima de violência doméstica só o é se houver uma sentença judicial.
A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género defende que, para estar isento, o utente só tem de apresentar queixa e que a nota de débito deve ser enviada ao agressor." A notícia escapou-me, só dei por ela na blogosfera (aqui). E não queria acreditar no que lia: as vítimas de violência doméstica têm que pagar os tratamentos em alguns hospitais do país, ainda por cima num valor que não é indiferente à maioria das bolsas portuguesas. Pelos vistos, a cobrança ou não deste atendimento fica ao critério de cada unidade hospitalar. E a vítima, para estar isenta, "só" tem que provar em tribunal que o seu caso é de inequívoca violência e ainda identificar o agressor para que seja enviada a factura a este e não a si! Como se o facto de ter-se dirigido a um hospital, exibindo maus tratos óbvios (que os médicos identificam imediatamente) e tendo que admiti-lo perante estranhos, não fosse já um passo de gigante para muitas vítimas, quantas vezes dado só quando o desespero chega ao extremo. Como se tudo isto fosse fácil, líquido e sem consequências para quem vive sob um regime de terror!!!!
A hipocrisia que envolve toda esta aberração é uma vergonha para todos nós: os legisladores, que fizeram uma lei que permite interpretações deste teor; os deputados, que a aprovaram; os médicos, que põem a contabilidade à frente do juramento que fizeram; e, finalmente, toda a sociedade civil, que se demite e fecha os olhos a todos os assuntos que a constrangem. E assim, uma lei estúpida e irresponsável, aplicada ao acaso e não denunciada com a indignação que nos devia merecer, contribuirá para fazer engrossar outra vez uma estatística que tem diminuído a muito custo e a passo de caracol.
É revoltante, tão revoltante como a própria violência doméstica.
(Imagem: Fotografia de Chema Madoz)
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In the waiting line
(Zero 7 - In the waiting line)
(Imagem - Gustav Klimt)
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ana v.
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Labels: música
Esclarecimento
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ana v.
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Labels: recados
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Parabéns, miúdo
23 anos, o mundo aos pés (e nos pés). Mas dá gosto ver que a fama, o dinheiro e a excessiva exposição pública, neste caso, ainda não mataram a inocência e a simplicidade. Parabéns, miúdo.
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21:32
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Portuga, afinal
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Labels: humor negro
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Tiro ao alvo
Acabei de ouvir, na televisão, uma notícia espantosa: os elementos da PSP vão ser submetidos a um exame de tiro para apurar da sua perícia no uso de armas de fogo. Os que não provarem ter uma boa pontaria ficarão reprovados no dito exame, e consequentemente proibidos de usar armas daí em diante, no seu trabalho do dia a dia. Fiquei perplexa. Conhecida como é a penúria de equipamento destribuída aos guardas - que têm que adquirir, pelos seus próprios meios, fardas, coletes à prova de bala e até as próprias balas - imagina-se o vasto treino que estes homens terão de carreiras de tiro...
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23:54
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15.000

15.000 ventos já passaram por esta porta, diz-me o contador que está lá em baixo.
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Labels: celebrações
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Tratamento psi
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Labels: crianças, Short stories
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Keep it simple
Para hoje, um clássico eterno: Love, de John Lennon.
Para quê complicar o que é simples?
Love is real, real is love
Love is feeling, feeling love
Love is wanting to be loved
Love is touch, touch is love
Love is reaching, reaching love
Love is asking to be loved
Love is you, you and me
Love is knowing we can be
Love is free, free is love
Love is living, living love
Love is needing to be loved
(Nota: Uma sugestão musical encontrada nesta especialista em Beatles.)
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18:15
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Labels: música
Paz podre
Não é de agora a minha decepção com os critérios que, nos últimos anos, têm presidido à atribuição do Nobel da Paz. Do inicialmente alto grau de exigência que reconhecia feitos de personalidades extraordinárias (no sentido de "invulgares") ao serviço de causas inequivocamente dedicadas ao bem da Humanidade, de uma forma altruísta, passou-se a uma moeda de troca política, conveniente e adaptada às circunstâncias. Os políticos que continuem a medalhar-se alegremente uns aos outros, e que tirem disso os dividendos esperados. Para mim, não valem por isso nem mais um cêntimo. Muito pelo contrário.
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Labels: absurdos, prémios, sinais dos tempos
DEUS

Às vezes sou o Deus que trago em mim
E então eu sou o Deus e o crente e a prece
E a imagem de marfim
Em que esse deus se esquece.
Às vezes não sou mais do que um ateu
Desse deus meu que eu sou quando me exalto.
Olho em mim todo um céu
E é um mero oco céu alto.
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
La niña Concha
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Labels: música























