Entre mim e Istambul há uma paixão antiga. Começou há muitos anos, com um pianissimo e inocente flirt que prometia grandes voos, mas afinal se deixou adormecer devagarinho e acabou por ser cilindrado pela voragem da vida. Mas o limbo do tempo manteve a paixão viva, porque voltou agora, em cheio, sem sequer se fazer anunciar.
Talvez por isso me sinta tão bem lá. Costumo ter facilidade em fundir-me com os sítios onde vou, e em poucos dias tenho alma de nativa. Mas em Istambul isso foi-me especialmente fácil e natural. A cidade oferece as suas muitas faces a quem a quiser descobrir, mas há que respeitá-la e entendê-la para fruí-la inteiramente.Além disso, uma viagem a Istambul é para nós, portugueses, uma alucinante e surpreendente descoberta de muitas das nossas origens e tradições: de repente, entramos na belíssima Mesquita Azul
(nesta viagem, eu acordava e adormecia com a mágica imagem da mesquita em grande plano, emoldurada pela janela do meu quarto... como não sonhar com garbosos Aladinos, sobrevoando os minaretes nos seus tapetes ondulantes?) e descobrimos, fascinados, o catálogo completo de padrões das nossas chitas de Alcobaça estampado em azulejos e frescos, decorando paredes,
arcos e abobadilhas; dobramos uma esquina e o inconfundível cheirinho de castanhas assadas invade-nos as narinas, vindo de um carrinho igual aos nossos (pré-ASAE, claro), com um vendedor que as arruma uma a uma, criteriosamente; no deslumbrante Harém do palácio Topkapi encontramos ruas inteiras de pequenos seixos rolados, pretos e brancos, em desenhos caprichosos que nos revelam, sem enganos, a genealogia da calçada portuguesa; um eléctrico (rigorosamente igual aos nossos à excepção da cor, que é encarnada) desce uma rampa íngreme e traz-nos de volta a casa, a Lisboa, num lance de magia; sobre a ponte Gálata comemos uma espécie de sardinha assada sobre o pão, como se estivéssemos na Madragoa ou em Alfama. E há muitos mais paralelismos: a luz de Istambul é a mesma luz gloriosa de Lisboa, de um branco azulado que não há em mais sítio nenhum, que eu saiba; o Bósforo tem quase a largura do Tejo, com uma Cacilhas asiática em frente, na outra banda, e uma ponte de ferro que apenas difere da nossa no tamanho;
a cozinha, mediterrânica como a portuguesa, tem sabores que reconhecemos facilmente e outros que deixámos que se perdessem, com a globalização que já nos engoliu; a simpatia feita de manha, o improviso, a marosca, o fatalismo e outros atributos que nos caracterizam, também a nós, fazem dos turcos uma espécie de portugueses exóticos, mais sensuais e ainda mais aldrabões. Em todas as lojas nos oferecem um delicioso chá fervente de maçã, um ritual sagrado e irrecusável que acompanha o despique da negociação obrigatória de cada compra até à redução do preço a um terço do inicial. O Grande Bazar, com as suas quase 5.000 lojas, é um abismo de tentações. E o Bazar Egípcio (também chamado Bazar das Especiarias) um festim para os sentidos, sobretudo para os gastrónomos como eu.
Istambul é um verdadeiro caleidoscópio: ora nos sai Bizâncio, no seu esplendor de mosaicos de ouro e cores deslumbrantes (o exemplo mais impressionante é a igreja de São Salvador de Chora, um comovente bastião da fé cristã em terras islâmicas, com paredes e tectos cobertos de cenas da Bíblia, de uma beleza rara e em óptimo estado de conservação); ora nos sai Constantinopla, imponente como o império que a baptizou e que por lá deixou vestígios inigualáveis (como a maravilhosa Cisterna da Basílica ou Hagia Sophia, a irmã cristã da Mesquita Azul e uma majestosa manta de retalhos de cultos religiosos);
ora nos sai um poderoso marco otomano, com incontáveis mesquitas cujos altifalantes nos minaretes, que propagam arrepiantes litanias de apelo à oração, 5 vezes por dia, e que transformam a cidade (sobretudo ao entardecer, quando começam a iluminar-se) num cenário das mil e uma noites; ora nos sai, finalmente, uma metrópole moderna e fervilhante do lado de lá das pontes, piscando o olho ao ocidente e aspirando por um lugar ao sol da Europa.






























1. Gostava muito de contar com todos no lançamento do meu livro 


Veja lá mas é se o Joaquim a leva por maus caminhos.
Nunca fiando...
2:18 PM
Não olhe para trás, senhora, olhe que ainda vai contra um muro!
2:33 PM
Vamos esforçar-nos um bocadinho mais nos comentários, boa? Vá lá, anónimos, vocês conseguem melhor!
3:08 PM
Terá encontrado o Joaquim de Almeida?
3:19 PM
Oh, muito pior que isso foi a minha vida antes de ter conhecido a Juliana Paes.
3:26 PM
Se tentou apoiar-se numa perna, mexer no cabelo e falar-lhe com voz doce, o mais provável é que o Joaquim seja gay, apesar da voz máscula e firme.
3:39 PM
Esse gajo é trolha?
4:02 PM
Sr. Correia, era favor esforçar-se um bocadinho mais.
4:47 PM
Se o Joaquim fosse trolha era perfeito, ainda fazia uns arranjinhos na casa; Se fosse o Joaquim de Almeida fazia ovos mexidos (julgo eu).
5:10 PM
Não é homem, CFA. Não pode ser homem, porque os homens são perfeitos por natureza. Não precisam de fazer ovos mexidos, nem precisam de fazer coisas básicas: só precisam de saber mandar fazer.
Pode até ser macho. Pode ser um peixinho vermelho. Mas o Joaquim não é homem!...
5:25 PM
J.C., lamento informá-lo de que as suas ilhas não constam da memória do meu Joaquim. E não despreze a habilidade de fazer ovos mexidos. Garanto-lhe que leva muitas mulheres à rendição.
5:52 PM
Três notas, CFA.
1. Um Joaquim sem memória é realmente para lamentar.
2. Não desprezo essa habilidade. Ovos mexidos é coisa que faço com grande qualidade.
3. Maior habilidade é levar muitas mulheres à rendição sem ovos mexidos. Não preciso de ir à cozinha, porque eu sou homem de uma mulher só. Uma de cada vez. Mas só. Ou, quando muito, mal acompanhada...
6:02 PM
Ora aí está um comentário engraçado do JC. Contei ao Joaquim e ele disse logo: "Vire à direita". Vejam e aprendam, anónimos do fundo do escalafon!
7:00 PM