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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Uma VOZ

Hoje, 16 de Abril, é o dia mundial da VOZ. Vou-me rendendo a assinalar estes "dias de", sobretudo aqueles que não têm implicações dúbias ou não me irritam especialmente. Por isso aqui fica uma das mais bonitas canções de amor alguma vez escritas, numa das mais bonitas vozes que já ouvi. E não só bonita: é uma voz de tal maneira expressiva e rica de inflexões que, mesmo para quem não perceba a língua em que as palavras são ditas, é fácil entender o que elas pretendem transmitir e deixar-se levar pelas emoções. É uma "voz-actriz", e de primeira água. Recostem-se e ouçam-na, de preferência sem outros ruídos de fundo. E digam-me lá se não ficamos todos com vontade de ter um amor "soft as an easy chair"...

(Evergreen - Barbra Streisand)

Love soft as an easy chair
Love fresh as the morning air
One love that is shared by two
I have found with you

Like a rose under the april snow
I was always certain love would grow
Love ageless and evergreen
Seldom seen by two

You and I will make each night a first
Every day a beginning
Spirits rise and their dance is unrehearsed
They warm and excite us, cause we have the brightest love

Two lives that shine as one
Morning glory and midnight sun
Time weve learned to sail above
Time wont change the meaning of one love
Ageless and ever evergreen

sábado, 12 de abril de 2008

Parabéns

Montserrat Caballé faz hoje 75 anos. Ao longo da sua carreira cantou quase todo o repertório operático clássico, com uma delicadeza e uma doçura que contrastavam com o seu volume físico e faziam com que ele se eclipsasse totalmente. Em palco ficava apenas uma cara linda e expressiva, de medalhão italiano, e uma voz simultaneamente poderosa e suave. A sua Casta Diva (Norma) ficou famosa.
Aqui, num impressionante dueto com outra fantástica voz - Freddy Mercury - a mostrar toda a elasticidade do seu talento e a sua enorme simplicidade. Uma mulher maravilhosa, uma cantora inesquecível. Parabéns, guapa!

(How can I go on - M. Caballé e F. Mercury)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Ainda um sonho


Passam hoje 4o anos sobre a morte de Martin Luther King.
Que bom seria que o seu sonho fosse já uma realidade...

domingo, 30 de março de 2008

Clap, Clap, Clapton

O grande Eric Clapton faz hoje 63 anos. Aqui o têm, numa canção de James Taylor de que eu gosto muito, a assinalar o dia. Escolhi esta versão "karaoke" para poderem cantar com ele. Parabéns, Eric, e obrigada por tantos e tão fantásticos momentos que me tens dado. No teu caso acho que se pode aplicar, sem favor, a máxima do vinho do Porto: quanto mais velho...

(Don't let me be lonely tonight- Eric Clapton)

(Nota: Esta homenagem foi uma sugestão de um amigo, igualmente fã de Eric Clapton e sempre atento a estas efemérides da boa música. A escolha da música é minha.)

quarta-feira, 19 de março de 2008

Homenagem


Acabam de desaparecer dois homens difíceis de ignorar, ligados ao mágico mundo do cinema:
Arthur C. Clarke, o visionário escritor de ficção científica e criador do eterno 2001 - Odisseia no Espaço, aos 90 anos;
e Anthony Minghella, o realizador de filmes tão importantes como, por exemplo, O Paciente Inglês e O Talentoso Mr. Ripley (gosto mais ainda do segundo, que considero um dos grandes filmes que já vi), aos 54 anos apenas.
De Clarke, ficou-nos uma herança promissora: 3001, The Final Odissey. I just can't wait...
Dizer que o cinema ficará mais pobre sem eles, é puro eufemismo.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Vergonha

Que país é este, que ao fim de sete anos ainda não fez um público e inequívoco mea culpa quanto às vítimas de Entre-os-Rios?
Que ao fim de sete anos ainda não indemnizou (e seria sempre apenas simbólico) as famílias, como se estas estivessem a pedir alguma coisa a que não têm direito, depois de uma tragédia de que não tiveram a menor culpa e lhes alterou a vida para sempre?
Que ao fim de sete anos se sujeita, sem vergonha à vista, a esta bofetada de luva branca, dada com toda a categoria por essa gente desiludida por tanta injustiça e tanta falta de dignidade?
Parece que só Camões os entende e justifica:
...
Vendo o triste pastor que com enganos
lhe fora assi negada a sua pastora,
como se não a tivera merecida,
Começa de servir outros sete anos,
dizendo: Mais servira, se não fora
pera tão longo amor tão curta a vida!
Nota: Junto-me, assim, ao protesto do RAA, no Abencerragem.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Maria Gabriela Llansol 1931-2008


De mim, direi que fui uma vez enviado, trouxeste a frase que nunca antes leras, o meu corpo a disse, e não reparaste que ficaste com ela escrita.


(Maria Gabriela Llansol - Lisboaleipzig 2)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Uma Utopia possível

Passam hoje 60 anos sobre a morte de uma das mais fascinantes e ímpares personagens da história da Humanidade. A última urna conhecida contendo as cinzas de Gandhi foi hoje lançada ao mar, simbolicamente, em frente a Bombaim.
Fazem falta, cada vez mais, homens como ele. Mas estou a pedir muito: se aparecesse só um, e só levemente parecido com o Mahatma, já estaríamos com muita sorte.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Yesterday


Em homenagem a um tempo em que tudo era tão saboroso como uma maçã acabada de colher.


(Eva Cassidy - Yesterday)


domingo, 9 de dezembro de 2007

Saudades de Lisboa


ALFAMA

Alfama de cacos pintados de tintas e trocas e ventos no rio de pontos picantes e pontas de faca e alpaca de Alfama com alma de alfafa e gente de fama que cai na galhofa do pátio da esquina da feira da ladra de cacos picantes e contas correntes de tretas e pintas de gente com laca nas pontas da fama e ventos de faca que cortam Alfama de portas pintadas com a fama do fado.

(Nuno Rebelo - in Mler If Dada, Coisas que Fascinam)
Nota: Roubado ao RAA, no Abencerragem.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cinema no Estoril


O realizador Pedro Almodôvar foi muito justamente homenageado no novíssimo festival de cinema do Estoril.
Sei que estou a repetir-me, mas acho que quem inventa e dá vida a uma história como Hable con ella merece todas as honrarias. Não estou a esquecer os seus outros filmes: foram muitos e bons, num conjunto invulgar de qualidade e densidade dramática. Mas este, em particular, é uma obra prima. Não só de Almodôvar, não só do cinema espanhol, mas da História do Cinema.
Digo eu, e tenho a certeza de que não sou a única.
Nota: A beijoca na bochecha do Pedrito é minha. Pus baton encarnado de propósito para o efeito...
Adenda: Cito aqui uma notícia do Nuno Lopes, da Lusa, relativa a este tema. Diz ele:
"Lisboa, 09 Nov (Lusa) - Pedro Almodóvar afirmou hoje, no Estoril, que se alguma vez filmar fora de Espanha, será em Portugal, pois sente-se fascinado pela língua e cultura portuguesas. O realizador falava num encontro com público no Teatro-Auditório do Casino Estoril no âmbito do European Film Festival, inaugurado quinta-feira. O cineasta afirmou que se sente "estimulado" a criar em Madrid, até porque nos seus arredores estão os seus amigos artistas, mas confessou que tem vontade de rodar em Portugal.
"Gosto da música portuguesa, da sonoridade da língua, da cultura e da vossa maneira de estar", declarou. "Sinto que somos próximos, mas não irmãos gémeos", acrescentou. O realizador usou de sentido de humor para quebrar a timidez da audiência que hoje, ao final da tarde, se reuniu no Estoril para o questionar sobre a sua filmografia. Estudantes de cinema, público que se tornou fã incondicional dos seus filmes e alguns curiosos encheram o auditório do Casino Estoril para perguntar qual o filme de que mais gostava, a personagem favorita ou onde encontrava inspiração. Quanto à inspiração "é tudo", respondeu o realizador sem hesitar, e prosseguiu: "ela não surge como uma revelação, estou a tomar café e as notícias do 'Telediario' despertam-me histórias, assim aconteceu com o filme 'Saltos altos'".
Quanto aos filmes favoritos afirmou sentir-se "mais próximo" dos que rodou de 2000 até hoje. "A postura é a mesma, escrevo e faço-o com paixão, desfruto e sofro muito, mas a paleta de cores muda", disse. "Mas identifico-me com todos, os primeiros em que era mais jovem e os mais recentes, em que estou na meia-idade", disse Almodôvar suscitando um gargalhada na sala. Quanto a personagens, referiu o enfermeiro Benigno de "Fale com ela", que vive num mundo paralelo ao mundo real. Outra questão colocada pela sala foi a importância da música nos seus filmes. O cineasta afirmou que ela "é orgânica, pois faz parte do guião. Um elemento essencial, não truculento na medida em que não provoca sentimentos, mas explica as personagens. É um elemento activo no guião", disse. Quanto à música confessou-se um admirador de Rodrigo Leão e, em tom humorístico, afirmou que se os portugueses contratassem um comando para matar o seu director musical, Alberto Iglesias, escolheria o músico português. O realizador afirmou-se "fascinado" pela música portuguesa, realçando não só Rodrigo Leão como Bernardo Sassetti e "a descoberta" que foi Camané. Estes músicos integraram quinta-feira à noite o programa da gala de abertura do European Film Festival, a decorrer até 17 de Novembro no Estoril, e no âmbito do qual se realizou este encontro com o público. Camané foi a "descoberta do fado no masculino", disse o realizador, um fã confesso de Amália Rodrigues. "O fado muda cantado por um homem", sublinhou.
A sala questionou ainda o cineasta sobre o seu universo feminino e projectos futuros. A explicação para a forma como aborda o universo feminino foi buscá-la à sua infância "rodeado de mulheres". Ouvia-lhes as histórias, os comentários, estava rodeado delas: mãe, tias, primas, irmãs e vizinhas. "Quem nunca ficou à guarda de uma vizinha? - questionou o cineasta - na minha terra os homens iam trabalhar e nós ficávamos com as mulheres". Um universo de "mulheres fortes, do pós-guerra e a quem muito devemos", rematou.
Quanto a projectos futuros há "La piel que habito" que deverá começar a rodar dentro de um ano e um outro de que não quis revelar o título. Almodóvar explicou que "hoje em dia, num mundo complicado de direitos de autor, não vou adiantar o nome". O realizador explicou esta sua posição "pois assim que revelámos o título de 'Volver' [o seu mais recente filme] alguém se registou na Internet e ainda hoje se anda em demandas". A conversa foi pautada por gargalhadas, muitos elogios da assistência ao realizador e pedidos de desculpa por "falar em portuñol". Um dos elogios foi do ex-primeiro-ministro e ex-ministro dos Negócios Estarngeiros da França, Dominique de Villepin, que participa também neste primeiro Festival, no âmbito do qual profere no domingo uma conferência sobre "A política, a Cultura e os Artistas".

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Sempre Amado


A Jorge Amado

Na biblioteca do meu pai
em lugar de destaque, bem à mão
estão os mágicos livros
(num eterno entra e sai)
de um Jorge sempre Amado, sempre lido
em cada geração
e estranhamente nunca proibido,
nem nos tempos da grande agitação
de quatro menininhas a crescer...
(e como então gostávamos de os ler!)

Com um mar,
com um mundo de permeio
entre a pacata vila à beira Tejo
e esse imenso Brasil agreste e doce
viveu connosco sempre Jorge Amado
comeu, dormiu connosco, passeou-se
por mesas de madeira e azulejo
e camas vestidas de bordados
como se um de nós fosse...
Fez-nos chorar e rir, em devaneio
sonhar, pisar areias sem idade
sentir os cheiros da sua cidade
embriagar de cores, de sensações
entre coronéis e "negas" dos sertões
e navegar a bordo de paixões
sem sombra de pecado.
Por tudo isto, querido e velho amigo
é com toda a ternura que te digo:
Em nome de nós todos, obrigado!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Grande Hermínia


Também Hermínia Silva faria hoje 100 anos, se fosse viva. Dizer que Hermínia era única é cair num lugar comum. Mas a verdade é que nunca ninguém tentou imitá-la, ou sequer aproximar-se do seu estilo.
Tinha uma capacidade inultrapassável de improviso. Os seus grandes êxitos “Marinheiro”, “Reza-te a sina”, “Rosa enjeitada”, “Fado das iscas” e “Tendinha”, eram cantados sempre de maneira diferente.
Mas Hermínia Silva não foi só uma fadista ímpar: também fez teatro e cinema, onde contracenou com grandes nomes da sua época. Ficou célebre a sua frase "Anda, Pacheco!"

90 anos de cor



Mestre Júlio Resende faz hoje 90 anos. A comemorar a data, uma exposição antológica da sua obra, na cidade onde nasceu e aprendeu primeiro o seu métier: o Porto. No antigo edifício da Alfândega do Porto, um bonito espaço recuperado e muito bem aproveitado hoje em dia, 200 obras representativas da arte do pintor poderão ser visitadas e apreciadas por todos.
Nota: Aqui, um dos painéis de azulejos da estação de Metropolitano do Jardim Zoológico e um pastel de Júlio Resende.

domingo, 14 de outubro de 2007

Paulo Autran

Só hoje soube da morte de Paulo Autran (07.09.1922 - 12.10.2007). O desaparecimento de um grande actor deixa sempre o mundo mais pequeno. Aqui, como diseur de excelência, que era também.



Poema de Carlos Drummond de Andrade, recitado por Paulo Autran na rádio Band News FM, no dia 29/11/2006 (encontrado no Sem-se-Ver).

sábado, 13 de outubro de 2007

Parabéns, dos sinceros


Faz hoje 66 anos. Chama-se Paul Simon e não precisa de apresentações.
Tem-nos dado, ao longo de quase toda a sua vida, muitos e inestimáveis presentes: as suas composições, transformadas em maravilhosas canções interpretadas a solo ou em dueto com Art Garfunkle, de quem foi inseparável durante uma boa parte da carreira.
Aqui fica uma das minhas preferidas - Bridge over troubled water - que fala de amigos, e de como eles são fundamentais na nossa vida. Sobretudo quando os tempos são de águas turbulentas. Ofereço-a aos meus, amigos e abrigos preciosos. Com um muito obrigada por fazerem da minha vida uma travessia tão mais fácil e empolgante. Tal como a música, aliás.

Nota: E um obrigada especial a um desses amigos, o CM, pelo lembrete desta data.

Descubra as diferenças II


Doris Lessing, a octogenária que acabou de ser agraciada com o Nobel da Literatura, foi apanhada de surpresa por jornalistas ao sair do supermercado, no bairro londrino onde vive. De sacos na mão, afogueada e com o carrapito meio desmanchado, disse a um deles, divertida: "Eu achei estranho, realmente, tantos repórteres por aqui... mas, como neste bairro se filmam muitas novelas (soap operas), pensei que estavam cá por causa disso. O que não me passou pela cabeça é que era por mim!"
Comoveu-me a total ausência de vaidade, a bonomia, a sábia relativização das coisas deste mundo. E lembrei-me, inevitavelmente, de outro laureado a quem os louros subiram, literalmente, à cabeça. Adivinhem quem.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

As feridas de Frida


As feridas de Frida Khalo foram muitas, e quase todas tiveram nome de mulher.

Diego Rivera, o homem a quem ela chamava carinhosamente de "panzón" por causa do volume da sua barriga, tinha, além disso, idade para ser seu pai e era "feo como un cerdo", nas palavras de uma amiga de Frida.
Pelo seu lado, Frida era uma mulher-menina, fisicamente frágil (quanto a força interior, a conversa é outra) e doente, um vidrinho colorido e exótico que Diego gostava de exibir.

Porém, nada disso impediu que se tivessem amado loucamente e que esse amor, aparentemente tão desequilibrado, se tenha já tornado lendário. É claro que, visto à distância e a frio, tudo parece mais romântico. A verdade é que Frida sofreu muito, também, por causa desse amor. E, se acabou por transformar-se numa excêntrica para a sociedade mexicana ao liberalizar, também ela, as suas relações amorosas, foi porque nunca conseguiu que Diego correspondesse ao modelo que ela queria para a sua vida afectiva. Foi ele o seu mentor no mundo da arte, mas foi também ele que moldou nela a provocação e a révanche, que a perverteu e obrigou a reagir assim, como uma fera ferida que mostra as garras para se defender e acaba atacando também.
Diego Rivera era um homem torturado e conflituoso, dado a excessos e, sobretudo, muitíssimo mulherengo. Como artista plástico era um ícone já na sua época, aclamado e respeitado internacionalmente, o que acrescentava uma aura de mito ao charme rude que o caracterizava. Essa combinação produzia um efeito mágico no universo feminino e anulava totalmente o seu desastrado aspecto exterior. Dizia-se dele, não com certeza sem um certo exagero, que era magnético. O rol de mulheres que lhe caíu aos pés - antes, durante e depois do casamento com Frida - foi quase infindável, e essa fama era um rastilho poderoso que incendiava as novas candidatas.
Para além das insuportáveis dores físicas que a fatalidade lhe causou* (provocando-lhe ainda a impossibilidade de ser mãe, como dano colateral), Ferida sofreu incontáveis humilhações com as infidelidades de Diego, as quais, aliás, culminaram na mais dolorosa de todas: um caso com a sua própria irmã, dentro de portas. Esse drama quase a levou ao suicídio, e fez com que cortasse o cabelo (uma das suas imagens de marca, em penteados elaborados), se desfizesse de todos os enfeites e até que se vestisse de homem, matando impiedosamente toda a sua feminilidade e exuberância transbordantes.
Mas Frida era também uma artista: exorcizou todas as dores na pintura, deixando para a posteridade, nos seus quadros, um retrato arrepiante do seu sofrimento. E também da sua coragem.
Aqui fica a minha homenagem a essa grande mulher, que morreu mais ou menos com a idade que eu tenho agora. Admiro, nela, a obra e a vida, ambas de uma originalidade espantosa. Aqui, também, alguns dos seus quadros, testemunhos bem mais elucidativos do que quaisquer palavras.
Acrescento, à minha, outra homenagem: a de Pedro Guerra (cantautor pouco conhecido aqui no burgo), que escreveu em honra de Frida Khalo a canção "El Elefante y la Paloma" - letra e música de sua autoria - cuja letra, baseada num texto da própria Frida, aqui transcrevo:
EL ELEFANTE Y LA PALOMA

A Frida le duelen los huesos
y mirándose al espejo
pinta todo su dolor
A Frida le duele la vida
y apriendendo de su herida
llena todo de color

Diego mi Diego, Diego mi amor
por qué pienso que eres mio
si eres solo tuyo, Diego
si eres solo tuyo, Diego...

Frida miró al Elefante
y empezó a desdibujarse
pero nada le importó
Diego miró a la Paloma
y la amó entre tantas cosas
entre el lienzo y la pasión


Diego mi niño, Diego pintor
por qué pienso que eres mio
si eres solo tuyo, Diego
si eres solo tuyo, Diego...


Frida descansa en el lecho
y se pinta hasta en el pecho
con tal de sobrevivir

Diego mi amigo, Diego = Yo
por qué pienso que eres mio
si eres solo tuyo, Diego
si eres solo tuyo, Diego...

*Vítima de poliomielite infantil, aos 6 anos, ficou com a perna direita defeituosa, mais delgada e curta que a perna esquerda; aliás, essa perna acabaria por ser amputada. Aos 18 anos, foi vítima de um acidente brutal: o autocarro onde viajava foi abalroado por um eléctrico. Frida foi trespassada por um varão metálico, sofrendo danos irreversíveis na coluna vertebral. Em inúmeros dos seus quadros se podem ver os rígidos aparelhos ortopédicos que usou para sustentar a coluna partida, que eram autênticos instrumentos de tortura.

Adendas:
1. Uma bela sugestão da Ana L. Costa, este video de Chavela Vargas, cantando Llorona, com imagens do filme Frida (com Salma Hayek):

2. E também uma entrevista com Lila Downs (cuja semelhança física com Frida é impressionante), que canta várias canções populares no filme. Entre elas, o picante tango que ajudou a torná-lo famoso.

domingo, 23 de setembro de 2007

Silêncio eterno


Morreu Marcel Marceau, o grande mimo francês.
O seu ídolo era Charlot, de quem bebeu os silêncios que diziam tudo.
Palavras, para quê?

sábado, 22 de setembro de 2007

Bem vindo, Outono


Com um dia de atraso, uma homenagem à minha estação do ano preferida: o Outono. Aqui, entregue nas mãos virtuosas de Nigel Kennedy.
Vi-o (e ouvi-o!) há cerca de 1o anos, no auditório da Gulbenkian, tocando igualmente Vivaldi e também Brahms, se não me falha a memória. Achei-o genial. Nessa altura era um violinista rebelde e fora do baralho clássico, na maneira de vestir em palco: uns jeans coçados e uma t-shirt desportiva, cultivando um ar blasé que contrastava com o aprumo impecável dos outros músicos. Mas não só: nos seus concertos era colocado um quadrado de feltro grosso e felpudo, para abafar o som dos pés que batiam com força no chão enquanto tocava, às vezes até dando saltos. Era um espectáculo invulgar, mas o som que lhe saía das mãos fazia esquecer completamente o insólito da cavalgada. Nigel estava muito ligado à chamada música ligeira, e já tinha gravado com os grandes nomes da Pop inglesa.
Não sei de quando é esta gravação, mas vejo-o aqui muito compostinho. Da imagem que eu tinha dele já só resta o penteado. E o enorme talento, claro.
Adenda: Parece que afinal não me atrasei. Um atento guardião das datas diz-me que o Outono começa oficialmente no dia 23 de Setembro. Sendo assim, adiantei-me 3 horas. Difícil, mesmo, é acertar no dia certo!