terça-feira, 14 de agosto de 2007

Hable con ella

Caetano Veloso, num dos mais mágicos momentos do filme Hable con Ella, de Pedro Almodôvar. Para mim, que sou fã do maestro espanhol, é a sua obra prima. Depurado de toda a habitual parafrenália kitch e dos excessos caricaturais da tradicional visão do mundo de Almodôvar, este filme, subtil e de uma delicadeza invulgar, trata afinal um tema pesadíssimo e consegue o inimaginável: transformar num autêntico poema um dos mais hediondos crimes que podemos conceber - a violação - ainda por cima a de uma mulher completamente indefesa.
O que nos diz Hable con Ella é que até na maior sordidez pode existir inocência, e até mesmo uma nobreza desesperada que não deixa por isso de ser nobreza e que, vista desse ângulo, redime aos nossos olhos toda a Humanidade.
Se alguém ainda não viu o filme, vá a correr buscá-lo ao clube de video mais próximo.


(Como rebuçados extra, o filme dá-nos ainda as fantásticas coreografias de Pina Bausch e uma banda sonora de 5 estrelas, de Alberto Iglesias)

6 comments:

Cage (Assim) Limiano disse...

Conheço mal o Almodovar. Pouco ou nada, para ser exacto. Passe a ignorância do macaco. Sou um básico, aqui foi escrito recentemente. Mas retenho a sugestão, certamente, para uma boa oportunidade.
Começo melhor, e aprecio, o Caetano. Aqui, com "Cucurrucucú Paloma". De um álbum "Fina Estampa ao Vivo", editado em 1995 e precedido, em 1994, do "Fina Estampa", gravado em estúdio. Com diferenças significativas de repertório. Uma incursão, nem sempre fácil, aliás, na música de expressão castelhana, norte e sul-americana, cubana e porto-riquenha. Já não os oiço há um tempo, embora nunca tenham concitado a minha especial preferência. Lembro-me bem, todavia, de "Tonada de Luna Lenna", uma bonita melopeia venezuelana, comum aos dois álbuns, apoiada em falsetes, que o Caetano tão bem domina. No primeiro álbum, com acompanhamento instrumental e, no segundo, "a capella". Estava já deitado, recordo-me, quando a ouvi, na TSF, para onde telefonei e me informaram sobre o disco. Há uns anos.

ana vidal disse...

Cage, chamar-te básico foi obviamente uma ironia! Se alguém ainda tivesse alguma dúvida sobre o teu gabarito cultural (o que eu acho difícil), ficaria esclarecido com este teu comentário.
Mas estares "assim" é que não!! Estás a imitar-me? Já não posso ter o meu protagonismo de diva, nem no meu próprio blog?
Vá lá, um Cage "assim" não queremos. Já a um Cage assado, com mel e nozes, ninguém resiste. Anima-te!

JG disse...

è o filme de Almodôvar de que mais gosto. Comprei o DVD que vejo e revejo, ando com a banda sonora nos ouvidos dentro do meu MP3. Sempre me emociona, este filme. É, a meu ver, uma das sua obras-primas do cinema que ficará na memória de todos os que tenham um pingo de sensibilidade para compreender o amor e o sofrimento humanos.

Bjj

ana vidal disse...

JG, ainda bem que concordas comigo. Muita gente acha que este é um falso Almodôvar, que ele se desviou do seu estilo. Eu acho, pelo contrário, que ele se superou, e custa-me acreditar que possa fazer melhor que isto. É um filme para a história do cinema, mesmo.

Mad disse...

Ai, ai, ai, AI!
M'Ana, quero um relato detalhado do "jantar".

ana vidal disse...

qual jantar????