segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Última ceia

O que tem de tão mágico esta pintura de Leonardo, para fazer correr rios de tinta e inspirar tantas interpretações ? Aceitam-se sugestões para o mistério.

(Clique nas imagens para ampliá-las)

domingo, 16 de setembro de 2007

Discussões


Não há muitos anos, ainda eu levava a vida na ponta de uma espada. A cada provocação - ou aquilo que me parecia uma provocação - saltava como uma mola, pronta a defender a minha dama de ocasião. Sobretudo quando o tema era a injustiça - em qualquer uma das suas infinitas variações - a minha reacção era imediata e "física": o coração disparava, os músculos retesavam-se como os de uma fera em estado de vigília, todos os sentidos ficavam de repente alerta e ao serviço da minha causa. Era uma espécie de Joana d'Arc, incorruptível e sempre a postos para uma boa batalha em defesa de utopias e sonhos. A verdade é que gostava de ouvir-me, de sentir-me invencível. Gostava de romper as barreiras do razoável e aventurar-me, sem rede, em trapézios em que a adrenalina eclipsava o mais elementar instinto de sobrevivência. Por ser tão inflamada e tão suicidariamente destemida, muitas vezes fui ao tapete. Mas muitas outras, talvez a maioria, saí em ombros do recinto. E reparava que sentia sempre, no fim, uma indecifrável sensação de derrota quando a vitória era claramente minha. Passado o êxtase da discussão, os louros eram estranhamente incómodos.
Demorei algum tempo a perceber a mensagem, vinda das profundezas da minha consciência. Mas cheguei lá, aos poucos, entendendo o que tinha de perigoso a minha atitude. E de arrogante. E, acima de tudo, de egótico. No calor da discussão e do alto da minha razão inatacável, algumas vezes não terei percebido a fragilidade de um opositor ou o seu desespero. Algumas vezes terei esmagado alguém liminarmente, sem me deter nas razões que levavam esse alguém a defender pontos de vista que me pareciam inaceitáveis. Os porquês, as causas, os eventuais equívocos. Ciente de que dava sempre iguais armas aos meus adversários, esquecia-me de que isso não bastava para que a luta fosse igualitária e, logo, inteiramente limpa.
Mas a vida foi-me ensinando a lição, e encarregou-se de limar e amaciar as minhas arestas. Aprendi, por exemplo, que a coerência não justifica tudo e que não é, por si só, um valor essencial (a História está cheia de déspotas que foram sempre coerentes). Dar o braço a torcer pode ser bem mais compensador. Parar para observar os estragos que estamos a fazer no adversário é não só uma atitude muito mais humanista como, muitas vezes, mais eficaz. Porque o humaniza também.
A maturidade, que me abriu os olhos para tudo isto (não é tudo mau...) trouxe-me, como compensação dos delirantes excessos perdidos, dois preciosíssimos presentes: a calma e o humor. Ironicamente, também com eles tenho que estar alerta. Ambos podem ser mais letais do que uma faca afiada. Tenho a plena noção de que fui ganhando algum inevitável cinismo pelo caminho, mas também uma visão mais tolerante dos outros e de mim própria.
A discussão pelo prazer da discussão, confesso, sempre há-de motivar-me. A dialética é para mim uma arte apaixonante e irresistível, que os meus genes provavelmente determinaram e a profissão acabou por substanciar. Tese, antítese e síntese são labirintos que me atraem como poucas outras coisas, e a ginástica mental parece-me muito mais preciosa do que aquela que se faz nos ginásios e nos deixa o físico em forma. Nas discussões alheias, galvaniza-me o espectáculo de inteligências em exercício (quando é o caso) e desespera-me a argumentação que se apoia em truques baixos e recursos menos nobres. Acho até que a dialética deveria ser uma modalidade olímpica, sujeita às regras de ouro dessas contendas superiores. Mas matar ou morrer já não é o meu estímulo. Agora, numa discussão, o que mais me encanta é o que aprendo. E, já agora, também um resto mortal de vaidade, que me ficou: o saber que posso ter ensinado alguma coisa.

Um presente

Olhem só que presente lindo eu tive:

sábado, 15 de setembro de 2007

O essencial


E mais uma gargalhada, à conta da proverbial e ignorante bonomia dos portugueses.

Esta ainda fresquinha, acabada de ouvir nas notícias da televisão, numa entrevista de rua no Porto, onde decorre a reunião dos Ministros das Finanças da União Europeia (ECOFIN).

Uma tripeira avantajada é abordada pelo jornalista, que lhe pergunta se sabe o que é o Ecofin. Resposta prontíssima: "Eu não... Sei o que é vinho fino, mas isso não ..."

Bem respondido, carago! O que interessa é saber o essencial.

Rir é o melhor remédio

Uma boa gargalhada para o fim de semana. Obrigada, Azia.

O mais curioso é que a frase "you're a disaster", em russo, soa a qualquer coisa como "está de parabéns", em português.

My Sweet Lord


Irresistível, este post/quase poema do Lord Broken-Pottery. A mostrar todo o talento que ele tem, até a chorar. Tive que roubá-lo para aqui. Mas ele perdoa-me. Não perdoa, my sweet Lord?
Aqui está:
«Gently Weeping
Hoje acordei querendo ser a guitarra do George Harrison. Gentilmente derramaria lágrimas como há muito não faço.
O primeiro pranto seria por saudades acumuladas, feridas abertas não cicatrizadas. Depois choraria o que não consegui fazer, tempo perdido, desperdiçado, jogado fora, menino preguiçoso desde sempre. Lamentaria então, baixinho, os momentos mal vividos onde, enredado em antecipações, todo expectativa, fui mais uma vez criança. Lastimaria o sono que não dormi, sonhos esbanjados em preocupações tolas. E com cuidado, para que não ouvissem esse carpir silente, derramaria algumas lágrimas de ódio e estaria, finalmente, bem mais feliz.
I look at the world and I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps
(While My Guitar Gently Weeps - George Harrison)»
Já agora junto-lhe este contributo, em jeito de brincadeira. Espero que as lágrimas já tenham secado.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Ora aí está!

«Por um Tibete livre

Percebe-se o melindre que provoca a visita do Dalai Lama a Portugal, mas o país deveria enviar um sinal muito mais forte aos tibetanos e aos chineses. Em especial este país, que tanto pugnou nos areópagos internacionais pela autodeterminação de Timor-Leste. Uma audiência com a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros é claramente insuficiente, e, por isso, não ficamos lá muito bem na fotografia. »
Encontrado no Abencerragem, do Ricardo António Alves. Subscrevo, e acrescento: A bandeira da independência sempre foi especialmente cara aos portugueses (à excepção de Saramago, claro, mas esse felizmente não tinha voto na matéria quando tivemos invasões). Porquê este "assobiar para o lado" quando se trata do Tibete, tenha a opressão chinesa os anos que tiver?

Gripe


Parece que a gripe das aves entrou finalmente em Portugal.
Se chega aos pavões, lá se vai metade do governo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Million Dollar Mister


Está visto que toda a gente está farta de futebol. A começar pelos seus protagonistas, que cada vez mais acrescentam uns pozinhos de boxe ao espectáculo, para lhe dar outro elan. Inventou-se um novo desporto: o futeboxe.
Desta vez, foi o próprio Million Dollar Mister quem brilhou nos ringues.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Piada snob

Os possidónios têm imensa sorte: às vezes falece-lhes gente, mas nunca lhes morre ninguém.


Comparações



COMO SATISFAZER UMA MULHER:

01. Acaricie

02. Faça massagens

03. Cante

04. Suporte

05. Alimente

06. Dê banho

07. Ria

08. Sorria

09. Estimule

10. Console

11. Abrace

12. Excite

13. Pacifique

14. Proteja

15. Seduza

16. Ligue

17. Corresponda

18. Antecipe

19. Perdoe

20. Sacrifique-se

21. Anime

22. Mostre-se igual

23. Fascine

24. Respeite

25. Encante

26. Mostre-se diferente

27. Defenda-a

28. Faça planos

29. Enfatize

30. Faça serenatas

31. Ofereça-lhe poemas

32. Mime

33. Elogie

34. Tome banho

35. Perfume-se para ela

36. Barbeie-se para ela

37. Chore

38. Faça uma surpresa

39. Acredite

40. Santifique-se

41. Ajude

42. Reconheça

43. Seja gentil e educado

44. Atualize-se

45. Aceite

46. Presenteie

47. Peça

48. Escute

49. Entenda

50. Leve-a a lugares bonitos

51. Acalme

52. Mate por ela

53. Morra por ela

54. Sonhe com ela

55. Prometa

56. Entregue-se

57. Comprometa-se

58. Alivie

59. Sirva

60. Salve

61. Prove

62. Agradeça

63. Dance

64. Olhe nos olhos

65. Escove

66. Seque

67. Dobre

68. Lave

69. Passe

70. Guarde

71. Cozinhe

72. Faça charme

73. Ajoelhe-se

74. Diga que a ama todos os dias

75. Volte ao começo e faça tudo de novo + 100 vezes.

COMO SATISFAZER UM HOMEM:

01. Traga uma cerveja gelada.

02. Venha nua.

No problem!


Exemplar, a atitude do Dalai Lama quanto ao facto de não ser alvo de uma recepção oficial. Como era de se esperar.
Desvalorizou em absoluto uma falha imperdoável - na minha opinião e na de muitos - do governo português, e as suas labirínticas razões para ignorar olimpicamente a visita de um líder espiritual desta envergadura, tão bem explicadas ao país por Luís Amado: "Por motivos óbvios, conhecidos de todos" (??)
Com um sorriso simpático e a habitual simplicidade que o caracteriza (e muita gente confunde, erradamente, com ingenuidade ou mesmo infantilidade) foi dizendo algumas verdades incómodas aos microfones da SIC: que o que o move é a paz e a harmonia entre os povos, e não as honrarias de um reconhecimento oficial nos países por onde passa; que os governos raramente fazem o que deviam quanto aos nobres objectivos humanitários com que ganham eleições; que a última coisa que quer é causar embaraços aos governantes, e que está habituado a estes constrangimentos políticos (o respeitinho à China é muito bonito, nada de provocar a potência que já está a dominar o mundo...).
Enfim, o Dalai Lama deu a todos nós uma lição em todas as frentes, própria de um homem inteligente e sábio que mereceu, por alguma razão!, a atribuição de um Nobel da Paz. E ainda demonstrou ter sentido de humor, ao afirmar que o tinham convidado e pago o bilhete, que era o mais importante.
No problem!, disse ele, sorridente, e percebe-se nessa simples declaração como este homem está acima das menoridades humanas.

Maus exemplos


Toco neste assunto pela primeira vez, e só para comentar um facto que me intriga e perturba. Se o Vaticano retirou do seu site oficial toda e qualquer referência ao caso Maddie McCann, depois de ter aderido sem reservas à campanha dos pais até agora, isso só pode querer dizer uma de duas coisas:
- Ou tem informações secretas e privilegiadas (que ninguém mais conhece) sobre o desenvolvimento e possível desfecho deste caso, e a atitude é de antecipada defesa de futuros ataques mediáticos inevitáveis (feio, feio).
- Ou, simplesmente, já julgou e condenou os pais de Maddie pelas últimas pistas descobertas, antecipando-se à justiça e negando-lhes o direito à presunção de inocência até prova em contrário (ainda mais feio).
Qualquer das hipóteses lhe fica muito mal. A primeira revela inconfessáveis promiscuidades com os poderes encobertos, desprezando em absoluto as instituições democráticas. A segunda denuncia uma falta de humanidade gritante, uma fuga do barco antes mesmo que a borrasca se declare. E ambas, sem outra interpretação possível, nos mostram uma Mãe que abandona os seus filhos em apuros, sem amor nem caridade, pensando só em si própria.
"Que atire a primeira pedra quem nunca pecou". Não foi esta a mensagem de Cristo? Não deveria ser esta a posição do Vaticano? É da Igreja Católica que se trata, nada menos. Entristece-me o mau exemplo.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Memória


Foi há 6 anos. O mundo mudou nesse dia, e nunca mais o Ocidente se julgou a salvo. É bom que não esqueçamos. É bom que não pensemos nunca mais que estas coisas só acontecem aos outros, lá onde estes cenários nos pareciam tão naturais como se assistíssemos a um filme.
Pinturas de Helga-Krakolinig, sob o título "Nine Eleven"

Bicicletas III

"(..) quero-te de bicicleta
quero-te outra vez de bicicleta sobre as folhas
quero-te ouvir chegar de bicicleta
quero o som macio que fazia na mata a tua bicicleta"
(Fernando Assis Pacheco)

Coração de chocolate


Ah, eu sabia!! O chocolate é uma coisa tão sublime que só podia fazer bem à saúde...
Eu já sabia que o meu coração é feito de chocolate, mas o que não sabia é que isso me poderá evitar um ataque cardíaco. E não só, segundo este artigo. Também me pode reduzir o risco de doenças das artérias coronárias em 5 por cento e todas as causas de mortalidade em 4 por cento. Todos os meus remorsos se eclipsaram, todos os meus argumentos para continuar chocoólica ganharam novo fôlego.
Embora se diga - e geralmente seja verdade - que tudo o que é bom "ou faz mal ou é pecado", o chocolate parece ser a excepção à regra, no que toca à saúde. E, se é pecado, eu sou uma pecadora confessa e sem remissão. Pior ainda: sem nenhuma vontade de ser salva do fogo do inferno. Haverá melhor coisa do que pecar??

Ilha das Pombas


Ilha das Pombas

São livros.
Velhos tomos abandonados
na estante do tempo,
guardando no silêncio das páginas
mil histórias, mil mistérios
que a memória já esqueceu.

O pescador que não voltou
de um dia de má sorte,
bote e alma vazios, eterno espanto.
A noiva que em vão picou os dedos
naquele vestido branco
que era um sonho bordado,
e nos pontos cruzados se perdeu.
O poeta que ouviu um dia um não mais duro
e se lançou voando,
asas presas para sempre no azul sem fim.
O menino que falava com as gaivotas
e com elas se ria do futuro.
Os amantes que tanto prometeram
e tão pouco cumpriram, afinal.
Os amigos que fizeram um pacto de sangue,
um por todos, todos por um…

São livros.
Orgulhosos e belos,
encostados ao tempo,
amparando-se no tempo
e com ele resistindo, resistindo
ao sopro gélido das nortadas,
ao impiedoso abraço das ondas,
até que todos os mistérios se desvendem.

(Baleal, 9/9/2007)
Fotografia: Mário Cordeiro

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

30 segundos


O suicida não é um homem que odeia a vida, como à primeira vista pode parecer. Pelo contrário: é um homem que a quer prolongar de qualquer maneira, nem que seja no remorso dos outros.

(Miguel Torga)


Cerca de 3.000 pessoas suicidam-se todos os dias no mundo, uma a cada trinta segundos, alertou esta segunda-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS) por ocasião da comemoração do «Dia Mundial de Prevenção do Suicídio».

Em comunicado divulgado hoje a propósito do «Dia Mundial da Prevenção do Suicídio», a OMS lembra que este problema social atinge actualmente «índices extremamente elevados». O dados da OMS indicam que a percentagem de suicídios no mundo nos últimos 50 anos aumentou em 60% - sobretudo nos países em desenvolvimento - e que o suicídio constitui actualmente «a terceira causa de mortalidade na faixa etária dos 15 aos 34 anos».

A organização da ONU sublinhou, no entanto, que a maioria dos suicídios «são cometidos por adultos», lembrando ainda que cada vez mais um maior número de idosos decide acabar com as suas vidas. Segundo as estimativas da OMS, por cada suicídio cometido com sucesso registam-se pelo menos outras vinte tentativas falhadas, que resultam em graves lesões e graves sequelas emocionais, tanto para o suicida como para a família e amigos deste.

Os últimos dados referentes às mortes por suicídio em Portugal do Instituto Nacional de Estatística (INE) são de 2005 e indicam que os suicídios no país têm vindo a diminuir constantemente nos últimos anos. Segundo os dados do INE, em 2005, contabilizaram-se um total de 910 casos, contra os mais de 1.100 registados anualmente desde 2002. Do total de 910 casos registados há dois anos, um total de 858 ocorreram no Continente, 14 no arquipélago dos Açores e 38 na região da Madeira, segundo os mesmos dados.

Assim, em 2005, os valores relativos às mortes por suicídio baixaram para 8,6 casos por cada cem mil habitantes, enquanto que, em 2002, o valor era de 11,52 óbitos por cem mil habitantes.
Para lutar contra o suicídio, que, segundo a OMS, afecta «todos independentemente da idade», é necessário que se criem estratégias de prevenção e que «o suicídio não seja considerado um tabu ou o resultado de crise pessoais ou sociais, e sim um indicador de saúde que evidencia os riscos psicossociais, culturais e meio ambientais susceptíveis de prevenção», segundo a OMS.

A OMS sublinhou a importância de reforçar programas para identificar e prevenir o comportamento suicida, afirmando que a maioria dos mais de 1,1 milhões de suicídios por ano poderiam ser evitados, se fossem adoptadas medidas adequadas que garantissem tratamento adequado às pessoas que sofrem de distúrbios mentais ou medidas que dificultassem o acesso dos potenciais suicidas a métodos para pôr fim à vida. A depressão, os transtornos bipolares, o abuso de drogas e álcool, esquizofrenia, antecedentes familiares, contextos socioeconómicos e educacionais pobres ou uma saúde física frágil, são os principais factores que se antecedem ao suicido, segundo um estudo da OMS, publicado em 2006.

Diário Digital / Lusa
10-09-2007

Pérolas na Blogosfera VI


«DESCULPA (em sentido figurado)
Não gosto que me peçam desculpas, nunca gostei. Prefiro que se dêem ao trabalho de não repetirem os mesmos erros, as mesmas faltas, os mesmos delitos de sempre. Por isso mesmo, nunca peço desculpa. Desculpa-me, pois, que não te peça desculpa por não aceitar o teu pedido de desculpas. »


Nota:
Encontrado no Insónia, do Henrique Fialho (23/8).
Imagem: Quino.

domingo, 9 de setembro de 2007

O desafio da Blogosfera


«Bem observado, este post de Eduardo Pitta: Da Literatura: DOMINGO .
Subscrevo o que ele defende: que os blogs, hoje em dia, cumprem a mesma função dos cafés de antigamente. E, tal como antes, cada um só convida para a sua mesa quem quiser que lá esteja.
Porque há mesas para todos os gostos: desde as elitistas dos cafés chiques, onde o grupo está formado, de pedra e cal, e ninguém mais pode perorar (são os blogs que não admitem comentários) até às mais saloias dos cafés de bairro, em que cabe sempre mais uma cadeira, por isso qualquer desbocado pode entrar na tertúlia e dizer alarvidades de sua justiça. Entre estes dois extremos, há variações possíveis e interessantes. Por exemplo, a de pôr na rua, sem contemplações, os convivas que não saibam comportar-se à mesa, sorvam o café com barulho, palitem os dentes ou agarrem na xícara de dedinho empinado, enquanto dizem baboseiras. O Porta do Vento tende para esta opção intermédia, mas, como ainda anda nesta vida de cafés há pouco tempo, por enquanto bebe uma bica aqui, um galão acolá. E assim, de mesa em mesa, há-de encontrar os seus pares e fazer um dia a sua.
Até lá, todos poderão vir dar uma espreitadela e dizer como gostam da torrada. E, porque hoje é domingo, a bica é por conta da casa.»
*******

Publiquei o post acima há pouco mais de três meses, quando dava os primeiros passos neste fantástico mundo que é, realmente, a Blogosfera. Estava ainda a tactear terreno para construir aquilo que seria o meu roteiro diário de hoje em dia, um passeio por vários blogs que me ensinam, me provocam, me fazem pensar ou, simplesmente, me divertem. Que, enfim, me enriquecem.

Desde logo me galvanizou esta comunhão gratuita e livre de Conhecimento, em que gente muito qualificada nas suas variadíssimas áreas tem a generosidade de partilhá-lo e até de discuti-lo com quem se disponha a isso. No mundo actual, em que ninguém dá nada a ninguém sem alguma contrapartida, esta atitude parece-me muitíssimo saudável. E pouco me importa que alguns blogs ditos "de culto" sejam meros exercícios de exibição de plumagens, de pirotecnia narcísica. Primeiro, porque mesmo com alguns desses narcisos bloguistas se aprende (quanto mais não seja, a não cair na tentação de imitá-los) e depois, porque o polegar que aponta para cima ou para baixo é sempre o nosso, ou seja, temos sempre a liberdade de escolher quem queremos visitar ou não.

Há blogs para todos os gostos e sensibilidades, e é isso mesmo que é fascinante. Desde as confissões pueris dos primeiros amores de adolescentes, enfeitadas a borboletas e corações trespassados, às mais sofisticadas compilações de material de pesquisa e às teses filosóficas, há de tudo. Ao longo deste tempo passeei-me por "cafés" que fui descobrindo, uns de bairro, outros nas melhores avenidas, elegendo aqueles que gostaria que fossem os meus pares mas sem no entanto aderir de vez a um determinado "grupo de pertença" (mas isso tem a ver com a minha confessa alergia a rótulos). Posso agora dizer que o meu crivo tem vindo a ficar cada vez mais apertado, embora não me escuse a novas aventuras sempre que elas convoquem em mim alguma descoberta ou alguma rebeldia.

É gratificante seguir raciocínios inteligentes dos jornalistas, académicos, analistas e escritores que dão a cara na blogosfera, sabendo-os livres de baias, pressões e linhas (e sobretudo entrelinhas) editoriais. Mesmo os que usam pseudónimos acabam por revelar-se, de uma maneira ou de outra. Nos blogs discutem-se temas fundamentais ou apenas se trocam brincadeiras, que dão colorido e tornam mais suportável o cinzento aparentemente irremediável que tomou de assalto os dias que correm.
Disseram-me que me saturaria em pouco tempo, mas, pelo contrário (e apesar de estar numa fase de trabalho intenso e muito absorvente), o prazer e o interesse não diminuiram. Pior: de um blog inicial (o Porta do Vento foi o primeiro), já estou envolvida em mais três! E em todos eles fiz alguns amigos, com quem, de outra forma, teria remotas hipóteses de trocar ideias (alguns deles estão do outro lado do oceano). É discutível este conceito de amizade? Tudo é discutível, mas não vejo porque não se possa chamar amizade a esta proximidade diária, muitas vezes quase íntima, em que se descobrem afinidades com pessoas reais (e não com um qualquer nick de personagem imaginária, como nos chats). Se o conceito de família se alterou com a evolução dos tempos, e hoje se aceitam como tal núcleos familiares inimagináveis ainda há poucos anos, porque não o de amizade? Claro que só acontece com alguns, de entre os que nos lêm e que nós lemos, mas, às vezes, a troca de ideias passa da esfera pública (o blog) para a privada (o e-mail), e mesmo para o conhecimento "em carne e osso" dos novos amigos. Não vejo nisso nenhum mal. Comigo aconteceu uma coisa ainda mais curiosa: reencontrar velhos amigos no éter, amigos de quem não sabia nada há anos.

Mas não são só os amigos. É também o insondável mistério dos desconhecidos. Espantosamente, este blog teve 5.000 leitores em menos de 4 meses, e mais 1.000, ultimamente, numa só semana! As preciosas e sofisticadas maquinetas que hoje existem à disposição dos bloguistas, permitem-me saber que esta gente está um pouco por todo o mundo, o que é ainda mais aliciante.

A frase que postei numa das minhas últimas "curtas": Um blog sem comentários é como um jardim sem flores, foi uma espécie de provocação aos blogs mais elitistas, que não permitem a interacção que torna a blogosfera neste interessante mundo de partilha de ideias. O eco que provoca aquilo que escrevemos é, para mim, o mais compensador prémio deste meio de comunicação. Não me imagino num interminável monólogo, imune a críticas e opiniões imediatas. Para isso, prefiro escrever um livro.

sábado, 8 de setembro de 2007

Bette Davis, the one and only




Nota: Esta provocação faz parte de um post delicioso e cheio de conteúdo - como sempre - da Meg no seu Sub Rosa, sobre uma das grandes divas do cinema: Bette Davis. Aqui fica a sugestão, como leitura de fim-de-semana. E uma música a condizer. Espero que gostem.

E.un.genio Salvador Dali

Dali se desdibuja

tirita su burbuja al descontar latidos

Dali se decolora

porque esta lavadora no distingue tejidos

el se da cuenta y asustado se lamenta

los genios no deben morir

son mas de ochenta los que curvan tu osamenta

"Eungenio" Salvador Dali.

Bigote rocococo

de donde acaba el genio a donde empieza el loco

mirada deslumbrada

de donde acaba el loco a donde empieza el nada

en tu cabeza se comprime la belleza

como si fuese una olla expres

y es el vapor que va saliendo por la testa

magica luz en Cadaqués.

Si te reencarnas en cosa

hazlo en lapiz o en pincel

y Gala de piel sedosa

que lo haga en lienzo o en papel

si te reencarnas en carne

vuelve a reencarnarte en ti

que andamos justos de genios

"Eungenio" Salvador Dali.

Realista y surrealista

con luz de impresionista y trazo impresionante

delirio colorista

colirio y oculista de ojos delirantes

en tu paleta mezclas misticos ascetas

con baionetas y con tetas

y en tu cerebro Gala Dios y las pesetas

buen catalan anacoreta.

Si te reencarnas en cosa

hazlo en lapiz o en pincel

Y Gala de piel sedosa

que lo haga en lienzo o en papel

si te reencarnas en carne

vuelve a reencarnarte en ti

que andamos justos de genios

queremos que estes aqui

"Eungenio" Salvador Dali.

Nota: Esta canção - E.un.genio Salvador Dali - do grupo espanhol Mecano, é uma bonita homenagem a um pintor que é uma das minhas paixões. Reparem na letra, um poema belo e certeiro. Os Mecano têm outras músicas dedicadas a pintores célebres, que hei-de trazer também a este espaço.

Rui Pedro, o parente pobre (III)


Cada vez com mais razões para isso, pela 3a vez aqui repito este post. E não será ainda esta a última vez que o farei. Ofereço à mãe do Rui Pedro, com muito gosto, esta possível tribuna para divulgar o seu apelo. Que o meu insignificante contributo possa servir-lhe para alguma coisa.
Aqui está o texto inicial:
«Não posso deixar de colaborar nesta campanha pelo Rui Pedro. O caso da menina inglesa, com a gigantesca mediatização que envolveu e com os apoios que mobilizou um pouco por todo o mundo, obriga-me a esse acto de mera justiça e solidariedade.
Tenho assistido, como todos os portugueses que vêm televisão, à incessante batalha desta mãe, impotente mas nunca vencida. Sem recursos, sem divulgação mediática internacional (mesmo a nacional tem sido quase inexistente), sem audiências com o Papa e sem apoios de nenhuma espécie, a mãe do Rui Pedro não permite - sempre que lho permitem a ela - que nos esqueçamos do seu filho desaparecido.
Uma mulher bonita que envelheceu à nossa vista, corajosamente exposta e inconformada. Sei que este não é o único caso de crianças portuguesas desaparecidas, longe disso. Mas a imagem desta mãe, devastada pelo desgosto e pela expectativa interminável, atira-me à cara a sorte que tive em ter acompanhado o crescimento dos meus filhos e tê-los tido sempre por perto. A mãe do Rui Pedro apenas pode imaginar, auxiliada por um retrato robot feito por um computador, como será (ou seria?) o seu filho agora. E esse simples pensamento já é insuportável.
Aqui fica, por isso, o meu humilde contributo. »

Confusões


George Bush confunde a OPEP com a APEC, e a Áustria com a Austrália.
Mas porque não, se também nós o confundimos com um animal racional?

Jardins da blogosfera




Um blog sem comentários é como um jardim sem flores.

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Cafeitona

Quem disse que os alentejanos só gostam de dormir?

No SOL, acabei de ler a mais extraordinária das notícias: nesta era em que a transgenia está na ordem do dia, o Alentejo faz questão de não ficar na cauda da Europa. Sabendo que há que acompanhar os tempos com criatividade e inovação, mas ao mesmo tempo manter a identidade e a cultura que distingue cada região, Campo Maior agigantou-se no ranking mundial e criou uma azeitona com sabor a café (!!!!). Será que vão chamar-lhe Cafeitona?

Não, não é brincadeira. A experiência foi feita e os seus autores vão comercializar o resultado a curto prazo, inundando os mercados com este original produto da região, que acreditam vir a ser um grande sucesso. Por mim, duvido muito. Pergunto-me para que servirá uma azeitona a saber a café: para tomar no fim das refeições? Para juntar ao leite do pequeno-almoço? Mas tenho algumas outras sugestões para estes génios alentejanos, caso me engane:

  1. Salmoriço - chouriço com sabor a salmão.
  2. Lagostigas - migas com sabor a lagosta.
  3. Sushiada - feijoada com sabor a sushi.
  4. Sorbecinho - toucinho com sabor a sorbet.
  5. Sericanga - sericaia com sabor a manga.

Tudo isto, claro, regado com um bom Gintol - um gin tónico com sabor a tintol.

E viva a criatividade à portuguesa!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Nobre linhagem


A Folha Online (Brasil) tem uma interessante colecção que consiste numa série de pequenos livros que abrangem as mais diversas áreas do conhecimento, distribuídas por 73 temas que vão da filosofia à música, da literatura à gastronomia, da moda às novas tecnologias, e por aí fora. Cada um aborda, de forma resumida e em linguagem acessível, o que de mais importante se sabe hoje sobre cada um desses assuntos. A colecção tem o nome de "Folha Explica" e é um útil instrumento de consulta e de pesquisa.
Saliento, a título de exemplo e na secção de Literatura, o volume dedicado ao escritor Graciliano Ramos, sob a responsabilidade de Wander Melo Miranda (professor titular de teoria da literatura na Universidade Federal de Minas Gerais e supervisor do projecto de reedição da obra completa do autor). O primeiro capítulo pode ser lido na página de apresentação do livro, aqui.
Dono de um estilo contundente e directo, Graciliano Ramos é um dos mais importantes autores da literatura brasileira. O escritor reafirma de modo inconfundível em toda a sua obra, cujo interesse estético é inseparável do comprometimento ético, o vínculo entre a literatura e a vida. A leitura dos seus livros recomenda-se a todos os que têm interesse em entender o Brasil e a sua história.
Nota: Para além do seu inquestionável valor, a minha escolha de Graciliano Ramos como exemplo desta colecção não foi completamente inocente. É que o seu neto Ricardo Ramos Filho, o mais recente herdeiro de uma linhagem não interrompida de escritores, é o bloguista Lord Broken-Pottery, meu amigo e habitual comentador da Porta do Vento. Aqui fica a homenagem merecida, milord!

O crepúsculo de um deus


Lembro-de bem da profunda impressão que me causou quando o vi (e sobretudo ouvi) cantar ao vivo, a menos de dez metros de mim, ainda em pleno esplendor da sua poderosíssima voz.
Gostei sempre mais da doçura e maleabilidade da voz de Plácido Domingo, por contraponto à imensa força da natureza que era a de Pavarotti. Muito abaixo dos dois, na minha opinião, ficou sempre José Carreras (não fosse a tocante e exemplar história de saúde, uma lição de preserverança e de estoicismo, e não lhe reconheceria o direito a um lugar entre "os três tenores"). Mas tenho que admitir que Pavarotti, não sendo o meu preferido, era absolutamente arrasador em palco. Abria a boca e saía - aparentemente sem o menor esforço - um vozeirão magnífico, seguro e cheio, que enchia cada recanto da sala e fazia arrepiar de espanto quem o ouvia.
Teve ainda um outro enorme mérito: o de ter sido o primeiro a abrir as portas do canto lírico, habitualmente reservado a um público reduzido e exigente, às chamadas "massas". Por causa das suas parcerias com variadíssimos músicos de outros géneros musicais - pop e rock, sobretudo - o universo operático deixou de ser um "papão" inacessível para muita gente. Ficam para a história os concertos Pavarotti and Friends, a favor de causas humanitárias para as quais arrecadou muito dinheiro e chamou as atenções do mundo.
Por tudo isto assisto com tristeza, nestes dias, ao crepúsculo de um deus.

Adenda: O desfecho era previsível. Pavarotti morreu hoje de manhã (6 de Setembro), aos 71 anos. A música perde uma das suas grandes figuras, em todos os sentidos.

NÃO



Sobre os livros que NÃO modificaram a minha vida NÃO tenho opinião. Porque foram os que eu NÃO li, ou aqueles de que NÃO me lembro.
Mas tenho achado graça à discussão que este NÃO assunto tem gerado por aí.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

String Fever

Em tempos de crise, um instrumento para 4 músicos já não é nada mau. Veja-se como eles o fazem render...

Nota: Encontrado no Cão com Pulgas, do Pedro Aniceto.

Na qualidade de falecido


- Olha, Jaquim, hoje na te trago flores, home. Trago só um papel do tribunal, diz qu'é p'ra ires lá daqui a dez dias levantar uma certidão. Na sei o qu'eles querem, mas olha que tratam as pessoas com respeito. Essa é qu'é essa. Na te chamam morto, tás a ver? És falecido, qu'é muito mais fino. Agora na te esqueças de te pores p'raí a parvalhar à conversa co's colegas de campa ou a beber copos co coveiro, e depois nunca mais t'alembras de lá ir... olha qu'isto agora tá sério, co tribunal na se brinca. Dez dias, Jaquim, ouvistes? Na me desgraces, home! Já basta teres-te atirado ó poço...




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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Mais do mesmo


Maria Elisa vestiu-se de alta toilette (seguir-se-ia uma festa em Buckingham?) para, do alto da autoridade que lhe conferiram meia dúzia de anos em Londres, conduzir um debate de reais banalidades sobre a realeza britânica. O mote é o estafado, esgotadíssimo assunto do momento (aliás, o assunto de todos os momentos desde há 10 anos, sempre que se quer fazer subir audiências nos media): a morte de Diana.
A conversa é a mesma de sempre: o mito, a traição, a beleza, a infelicidade, a incompreensão, a monarquia versus república. Mas o tema é tão consensual que a moderadora se sente na obrigação de lembrar a um dos participantes: "Olhe que pode discordar à vontade!...".
Os convidados aplicam-se, ainda tentam dizer alguma coisa interessante que ninguém tenha dito até hoje: missão impossível. Em 10 anos, tudo já foi dito.
Blá, blá, blá. Ridículo. Bocejo à terceira frase. À quarta, desisto. Fico a pensar no que fará Jorge Coelho naquele painel.

domingo, 2 de setembro de 2007

Dúvida


"As revelações sobre a longa e profunda crise de fé que, contra todas as aparências, viveu Agnes Gonxha Bojaxhiu, Teresa de Calcutá, não podem deixar-nos indiferentes.
A partir da correspondência mantida ao longo de 66 anos com os seus confessores e superiores, que o livro Mother Teresa: Come Be My Light põe agora à nossa disposição, é todo um percurso de dúvida que o acto de entrega ao tormento dos outros e às missões que lhe foram destinadas pela sua Igreja jamais foram capazes de resolver por inteiro. São ali recorrentes as referências a sentimentos de «secura», de «escuridão», de «solidão» e de «tortura», que, no constante convívio com o Inferno que foi quase sempre a sua vida, a levaram a duvidar da existência do Céu e até do próprio Deus. «O sorriso», o seu sorriso, escreveu Agnes, o sorriso que sempre lhe associamos, «é uma máscara» ou mesmo «um manto que cobre tudo». E este não parece tratar-se de um trajecto de ascensão espiritual rumo ao absoluto da fé, como o de Santo Agostinho (dizia ele, sabemos lá nós), mas exactamente o seu inverso: um olhar permanente, e inevitavelmente amargurado, sobre uma dúvida que não cessa e colide com o próprio sentimento de dever. O que não pode deixar de nos oferecer um olhar bem mais humano sobre a vida difícil desta albanesa pequenina, missionária, e, sabemo-lo agora, sempre sofrida e inquieta. Santidade é isto, é duvidar, é crer e descrer, não a entrega cega, segura e néscia seja a que fé ou a que causa for."
E eu acrescento: Santidade é, sobretudo, não ceder às dúvidas nem usá-las como alibi para a desistência. Seguir sempre em frente, mesmo não crendo sempre. A santidade lúcida deve ser o mais difícil de todos os caminhos. E também o mais admirável.
Foi Madre Teresa quem disse esta frase desarmante: "Não posso dar-me ao luxo da política. Numa ocasião, fiquei cinco minutos a escutar um político e morreu-me um velhinho em Calcutá".
Texto (em cima, a itálico) encontrado n' A Terceira Noite, de Rui Bebiano. As citações são retiradas de um artigo da Time que a revista Visão traduziu e publicou.

Chocolate

O Cacau Clube de Portugal, uma curiosa associação de apaixonados por chocolate de que sou sócia, vai promover já no próximo mês, em parceria com a Câmara Municipal de Cascais, um conjunto de eventos a que chamou O Chocolate em Cascais.
Aqui pode consultar o programa e encontrar tudo o que quiser saber sobre esta saborosa iniciativa. Haverá conferências, exposições, workshops, demonstrações práticas de como se trabalha o chocolate, degustações (esta é a melhor parte...), enfim, uma variedade de eventos que visam promover o chocolate e ensinar as pessoas a conhecê-lo e utilizá-lo melhor.
Vários hotéis e restaurantes aderiram já a esta iniciativa, ajudando a transformar Outubro no mais doce e requintado mês do calendário.
Aqui fica a sugestão, para os que já são amantes do chocolate. Mas sobretudo para os que ainda não descobriram as suas delícias. Convertam-se. Garanto que vale a pena.

Amor vermelho


A silly season despede-se com chave de ouro: na aparente ausência de notícias com o mínimo de interesse, a televisão filma e entrevista um rapaz que pinta de branco a parede de um stand, nos preparativos para a festa do Avante.
A namorada do rapazinho, babada e orgulhosa, chama a atenção do repórter para a gracinha que fez: "Não querem filmar as costas dele? Vejam o que eu escrevi lá". A câmara obedece-lhe: a palavra AMO-TE foi pintada à trincha, com a tinta da parede, ao longo da coluna do solícito pintor voluntário da JC.
E pronto: ficamos a saber como é lindo e criativo o amor comunista.

O estranho mundo dos pimbas II


Diz Ágata que é loura e tem olhos azuis porque tem descendência irlandesa.

Aí está: mais uma pimba transgénica.



O que der e vier


O QUE DER E VIER

Tributário apenas da verdade,
avesso a peias e grilhetas,
feito da massa dos poetas
e dos que amam a liberdade,
sensível à dor própria e à dor alheia,
lutando até ao fim por uma ideia
de peito aberto e sem ter medo
de nada nem de ninguém,
capaz de guardar segredo
mas de o revelar também,
eis como sempre hei-de ser
para o que der e vier.

(Torquato da Luz, no Ofício Diário)

sábado, 1 de setembro de 2007

Flautista precisa-se


O governo diz que não precisamos de nos preocupar, pelo menos por enquanto, com a invasão de ratos espanhóis . Mas eu não fico descansada. Sei lá se não serão da ETA...

Pelo sim pelo não, acho que devíamos contratar já um bisneto do flautista de Hamelin. E, já que cá vem, aproveitar o cachet e pedir-lhe para levar também os ratos que por cá andam, sobretudo os que se acham donos dos nossos celeiros.

Triplos parabéns - II


Não há dúvida de que o desporto português está em alta: depois da estrondosa vitória de Nélson Évora no triplo salto, em Osaka, desta vez é Vanessa Fernandes que acaba de sagrar-se campeã do mundo de triatlo, em Hamburgo.
E já que o número 3 está curiosamente ligado a estas vitórias, porque não mais uma, seja onde for? Não há duas sem três, dizem.
Nota: O meu amigo ML, leitor atento e entendido em desporto (pelo menos mais do que eu, o que não é nada difícil), alertou-me para o erro que aqui estava antes - Vanessa Fernandes não ganhou a sua medalha de ouro em Osaka mas em Hamburgo, até porque a modalidade de triatlo não faz parte do calendário dos Mundiais de Atletismo. Por isso também este post foi modificado, espero que agora sem erros grosseiros. A César o que é de César.
E já que voltei a este assunto, fez-me impressão ver os números tatuados nos braços e nas pernas das atletas de triatlo, na prova de Hamburgo. Para que servirá aquilo, se no equipamento já têm o número estampado? Não sei porquê, lembrou-me o ferrete dos antigos escravos ou a marca indelével de quem passou pelos campos de concentração nazis.