quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quero lá saber!


Porque será que temos sempre que ser mesquinhos quando se trata de reconhecer os nossos talentos, apoucando-os com ninharias "ao lado", que não têm nada a ver com o que está em causa?
Falo de Aquilino Ribeiro, claro. E da sua mudança para o Panteão Nacional, aonde pertence por mérito próprio e incontestável. Aquilino foi um escritor e um pensador de importância inquestionável para a nossa cultura, e a sua obra tem um valor que transcende absolutamente as questões ideológicas.
Quero lá saber se conspirou ou não contra o regime, se era de esquerda ou de direita, se vestia fatos azuis ou pretos, se gostava de ovos quentes ou de torradas ao pequeno-almoço! É um nome Grande das LETRAS portuguesas, caramba! Quem é que se atreve a negar esta afirmação? Mal "acomparado", é como dizer que a voz do Frank Sinatra não valia nada só porque ele pertencia à Máfia...

13 comments:

Lord Broken Pottery disse...

Concordo. O ideal seria que conseguíssemos separar o indivíduo de sua arte. Difícil, mas absolutamente necessário.
Beijão

Mad disse...

Mas às vezes a arte de um indíviduo mistura-se com a sua personalidade: olha os exemplos do Dali e a personalidade do Lobo Antunes...

Miguel disse...

Bem, o único tipo que diz ,"preto no branco" ,que o Aquilino é um escritor medíocre, -soube-o hoje - e que eu saiba, é o Vasco Pulido Valente. Aliás, outra coisa não seria de esperar já que o homem é ó maior espírito de contradição que se me deu a ler alguma vez.
Há outros que arranjam formas indirectas de o dizerem...por despeito claro dado antifascismo do escritor e a seu suposto envolvimento com os regicídas.
Cá para mim, simples leitor, delicio-me com aquilo que Aquilino escreveu, mesmo se ele inventa 20 palavras novas por cada página escrita ( nem dá para utilizar o dicionário porque ficamos na mesma).Leiam "O Malhadinhas e " A Casa Grande de Romarigães " e deliciem-se também.Isso é grantido.
Quando ao Frank Sinatra , sim, fiquei a gramá-lo menos desde que os rumores o associaram à máfia. Para mim não ficou a cantar pior , mas...

RAA disse...

Mesquinho é a palavra. Graças ao episódio Aquilino, apimentado pela estúpida imprensa, já apareceram por aí alguns anões em bicos dos pés.

ana vidal disse...

É uma discussão antiga, essa de dissociar ou não o criador da criação. Para mim não há grandes dúvidas: quando é realmente superior, a arte liberta-se do artista e vale por si própria. Escolhi o Frank Sinatra de propósito, porque nem sequer gosto muito dele. Mas tenho que reconhecer que, ainda que não fosse muito o meu género, a voz dele era fantástica. E mesmo que tivesse ligações com a Máfia isso não a fez pior.
E mesmo noutros campos que não envolvem a arte (até nos da moral), o velho ditado "faz o que eu digo, não faças o que eu faço" diz-nos que a mensagem não perde a força mesmo quando o mensageiro não é um bom exemplo. Às vezes até pelo contrário, torna-se mais clara pelo exemplo do que NÃO se deve fazer.
Para mim é simples, isto.

Luis Castilho disse...

Mesquinhez, subscrevo, é a palavra certa. Corrói boa parte da alma lusa. A alguns nem depois de mortos, quando normalmente os entronizamos, a intelectualidade nacional verga. Que uivem os lobos!

p.s Ana, thanks pelo estímulo. A minha inconstância ditará o destino do dito sítio.

ana vidal disse...

Não se preocupe, Luís. A constância nunca foi sinónimo de qualidade.
E seja muito bem vindo.

Mad disse...

Ai, tratam-se por você... Não posso!

African Queen disse...

100% de acordo Ana. E só consegue arranjar desculpas para diluir a qualidade dos outros quem é mediocre, mesquinho e feio. E não se trata de gosto pessoal, por exemplo eu não gosto por aí além do Saramago, não me identifico nem com ele nem com a obra, mas não posso deixar de reconhecer o valor do trabalho do homem... e há tantos exemplos. Mas é o país que temos, infelizmente... cada vez mais pequenino, feio, mediocre (desculpem-me este último desabafo mas é que ando com vontade de imigrar).

ana vidal disse...

AQ,
Eu adoro o meu país, mas parece-me - pelo que ouço pelas esquinas, quando o tema da conversa não é o futebol - que todos andamos com vontade de fugir daqui para fora. É inevitável: vive-se mal, o ambiente está pesado, e tudo o que temos de pior (como a mesquinhez e a inveja) vem ao de cima nestas alturas. É triste.

Mad,
Mas eu conheço o moço?

Luis,
Por mim, podemos "tutearnos", como dizem nuestros hermanos!

ana vidal disse...

Alguém pediu que uivassem os lobos? Pois nem de propósito: soltei as lobas hoje mesmo, para uivarem à vontade!

Mad disse...

Ana:
Luís + X = Aveiras + Porto + Marvão...

ana vidal disse...

Ah, já sei quem é!