segunda-feira, 24 de março de 2008

Primavera Poética

Deixei passar em branco o Dia da Poesia (deste até gosto, apesar de achar que todos o são igualmente) e o dia da chegada da Primavera. Tudo é recuperável, sobretudo as comemorações, seja lá do que for. Aqui se recordam ambos, hoje, porque tudo é quando um homem quiser. Ou uma mulher, neste caso.


FLORES

Era preciso agradecer às flores
terem guardado em si,
límpida e pura,
aquela promessa antiga
duma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner

(Nota: Um dos meus pintores preferidos e uma poeta que adoro, escolhas de sempre. A repetição de Sophia em dois posts seguidos diz bem da minha preferência).

19 comments:

Teresa disse...

Não saberia nem começar a dizer-te como esta Primavera de Botticelli me emociona...
Tal como a poesia de Sophia.
Um beijo.

Teresa disse...

P.S. Já tenho aquilo que sabes. Boa notícia: o preço baixou. LOL!

av disse...

Nem precisas, Teresa. Entendemo-nos bem, não é?
Calculo que te aconteceu alguma coisa parecida com o que se passou comigo, nas Uffizi de Florença: fiquei pregada ao chão, sem conseguir falar nem quase respirar, em frente dos quadros de Botticelli. Mal vi o resto das salas da primeira vez que lá fui, porque não conseguia sair dali. Ainda hoje essa lembrança me emociona.
A Sophia... sempre. É o meu "Nobel" português (o Pessoa não foi publicado em vida, coitado, quanto mais nobelizado!)

E quanto a assuntos mais terrenos, obrigada pela compra. Abençoados chinocas, são os únicos que baixam preços neste país! Como fazemos para a troca das preciosidades pela fortuna correspondente?

Teresa disse...

Já me aconteceu o mesmo com alguns quadros... no Musée d'Orsay foi um desvario...

Quando os meus olhos deram com o Bal au Moulin de la Galette pareceu que o chão me faltava debaixo dos pés. Idem para os Van Gogh...

Quanto ao resto, eu hoje falei com a Mad ao telefone, vamos encontrar-nos esta semana (ela vai ser a minha dealer, lol!). Na pior das hipóteses, entrego-lhe a aquisição. Se quiseres tomar posse antes, é questão de combinarmos. Vir almoçar comigo é coisa que não te deve dar jeito nenhum. Se estivesses em Lisboa, já hoje ta teria feito chegar por um motorista, estando longe acho um bocadinho de abuso da minha parte. Só se quiseres jantar... e nunca muito cedo, I'm afraid...

av disse...

Jantar cedo é coisa de americanos... e eu sou muito latina, nesse e noutros capítulos. Mas também podemos combinar um almocinho, claro. Aí perto do colosso, para não perderes muito tempo. Combina com a Mad e depois digam-me, vou ter com vocês.
Beijinhos e obrigada

Teresa disse...

Ao almoço tenho a enorme limitação do tempo, e mesmo então é costume o telefone não se calar (deixo as chamadas desviadas), julgo que será melhor combinarmos jantar. Amanhã julgo que não dá, já marquei com o Vítor, tenho de passar em casa dele, mesmo que seja num pulo.
Mas quarta-feira, mesmo sendo véspera de CM, julgo despachar-me antes das nove. Querem experimentar o indiano de que vos falei? À noite é capaz de ser um bocado deprimente, mas pelo menos há facilidade de estacionar o carro, podem parar no parque do colosso.
Keep me posted.

A Mad deixou-me à vontade, basta-lhe uma convocação com uma antecedência de duas horas.

av disse...

Deal. Por mim está feito. Jantar na 4a feira no indiano, acho óptimo. Combinamos melhor no dia.
Bjs

African Queen disse...

É bom poder fazer mais uma pausa quase às duas da manhã, vir aqui espreitar e voltar a sair sorridente :). Esta é a semana da Sophia, tenho um grupo de amigos com quem me reuno regularmente sob o pretexto de partilhar livros e o último sugerido foi precisamente a Antologia poetica da Sophia... três dias depois venho aqui e é isto... estou encantada :), anda a revisitá-la.
E sim, também já tive essa sensação de ficar colada ao chão, paralizada a olhar para um quadro, ou para vários... a pintura desperta-me emoções tão fortes, quase físicas que eu nunca consigo verbaliza-las.
:( Tenho de voltar ao trabalho...

av disse...

Bom trabalho, amiga. Espero que agora te custe menos, com a ajuda da Sophia...
Um beijinho, volta sempre.

miguel disse...

A minha irmã acaba de fazer desta tua entrada , tema de mail para partilhar com amigos. Bom sinal!

av disse...

Bom sinal e bom gosto, acrescento eu. Estou à vontade para dizê-lo, até porque não tenho o menor mérito nisso.

O Réprobo disse...

Querida Ana,
é curioso, a sensação que relata experimentei-a por duas vezes, em Florença, diante de obras de arte. Nos Uffizi, justamente, mas diante de um quadro de Paolo Uccelo. E numa igreja perto da Livraria Francesa, perante as pinturas de Ghirlandaio. Mas Bottcelli é muito grande e o único pintor italiano de que tenho uma reprodução no escritório, da «Madona del Libro».
Beijinho

av disse...

Paulo,
Também em mim Ghirlandaio e Fra Angelico, por exemplo, exercem esse fascínio. Todos os primitivos, afinal, com aquela visão luminosa da vida e das coisas. Os frescos do convento de S. Marco são de cortar a respiração. Mas Botticelli é o meu preferido, não sei exactamente explicar porquê. E, dele, esta Primavera deslumbrante.
Acho que foi um autêntico choque que me paralisou, a primeira vez que a vi ao vivo.
Um beijinho

Sofia disse...

Que entrada maravilhosa... perfeita, linda! Vou roubar para a minha memória. Posso?

Um sorriso da Primavera antes da Menina do Mar ir para a caminha!

beijos miúda

p.s. Amanhã, se quiseres, passa a lanchar cá em casa, não devo ir trabalhar!

av disse...

Sofs, esta é mesmo ao teu estilo, realmente. Tem tudo a ver contigo.
Ainda não sei se vou a Lisboa amanhã, mas se for apareço por lá.
Beijos

Júlia Moura Lopes disse...

Ana,

já fui uma autentica paranóica pela poesia de Sophia. Já passei tants poemas dela nas listas literárias que nem sei. Em adolescente, dormia e acordava agarrada a uma antologia que agora está toda esfarrapada. Comprei outras, entretanto mas é aquela que eu gosto :-)
Agora passou-me um pouco a paranóia, não o gosto pela poesia dela, porque contino a gostar e a achar que nunca tivemos nem me parece tão cedo teremos poesia ao nivel dela.
Há poemas dde Sophia que eu daria a vida para os ter escrito.

beijinho

ps- isto para te dizer que me surpreendi pq não lembrava deste. Trai sophia. Obrigada por me lembrares

av disse...

Júlia, entendo-te muito bem. Acho a Sophia uma escritora iluminada. E a luz que vem dela faz-nos melhores, por isso é tão bom lê-la.
Este poema é lindo e diz tudo em muito poucas palavras, e isso só os grandes poetas conseguem.
Beijinhos

Victor L. disse...

Tão belo, é a eternidade. Ninguém como ela escreveu assim.

av disse...

Seja bem-vindo, Victor.