sexta-feira, 27 de julho de 2007

Zoom

Definitivamente, a política não aguenta ser vista à lupa. O zoom é quase sempre um espectáculo sórdido.

5 comments:

Mad disse...

E isto é o quê? (vá, eu vivo no mato...)

av disse...

Por um lado é uma private joke que não posso comentar aqui.
Por outro, e por isso cá está, é infelizmente uma verdade universal. No mato ou na cidade, tanto faz.
bjs
ana

roteia disse...

Venho aqui, com muito gosto, comentar pela primeira vez. Até porque, leio os seus textos com enorme prazer. Hoje mesmo, lá atrás, li deliciado e divertido, "A Generala".

Porém, em algumas das questões da actualidade estou em desacordo consigo. É o caso do presente post, no qual a política é tida como "espectáculo sórdido", coisa que sendo pontualmente ou parcialmente verdadeira, não é, de modo algum, a verdade toda. Há gente que exerce a política com sentido ético, competência e coragem, sem se afastar do sentido nobre da causa pública. É certo que nos meandros (há quem lhes chame "corredores") do poder, há terreno fértil para oportunistas, corruptos, ambiciosos, em guerra pelo seu território de visibilidade ou de preponderância, mas aqueles que acreditam no seu próprio projecto político são habitualmente gente capaz, ainda que, admito, viciada em técnicas de ilusionismo e tácticas de defesa através do ataque. Em suma, gente versada nas artes de Maquiavel.

A mim, que fujo a sete pés dos meandros do poder, tendo presente que a única forma de poder que verdadeiramente me interessa é a de ser senhor de mim próprio, não me é fácil entender porque é que a política tão frequentemente aparece, ou é tomada, como fenómeno diferenciado das restantes actividades humanas. E também me é difícil aceitar que no nosso tempo a economia e os negócios absorvam quase toda a atenção mediática. Por exemplo: separa-se com excessiva ligeireza os campos da política e da cultura, como se esta não compreendesse estratégias, projectos e decisões políticas, como se isto, afinal, não andasse tudo ligado.

Para concluir, que já me alonguei, penso que a descredibilização da política e dos políticos, tão frequente nos media e também em voga entre alguns "movimentos de cidadãos", é um elemento perigoso do actual sistema democrático.
Abraços.

av disse...

Roteia,
Antes de mais, muito obrigada pela visita e pelos elogios, sem dúvida estimulantes. É uma honra tê-lo neste barco, e espero que volte sempre.
Quanto ao reparo que me faz, o eterno perigo das generalizações, acuso o toque e acho que tem toda a razão. Mas há dias em que estamos particularmente saturados dos jogos de poder e da podridão que eles quase sempre envolvem. Olhe, apanhou-me num desses dias! Ao contrário do que posso parecer com este cepticismo, gosto de considerar todos inocentes até prova em contrário. Mas sei que, na política, os inocentes e bem intencionados não vingam: ou aprendem a dançar conforme a música, ou são cuspidos do sistema, pelo incómodo que causam e, provavelmente, pelo espelho que põem à frente de quem já se vendeu...
A descredibilização dos políticos é um facto perigoso, concordo, mas não me parece que a culpa seja só dos media ou dos "movimentos", como diz. Infelizmente, os motivos partem quase sempre dos próprios, que se põem a jeito para toda a espécie de críticas e dão razão aos acusadores.
Apesar de tudo, acho que já o disse aqui, agradeço aos políticos o facto de ocuparem lugares que eu odiaria ter, e a verdade é que alguém tem que desempenhar esses papeis. Seja por pura ambição ou por espírito de serviço, a verdade é que envelhecem todos mais depressa do que eu!
E pronto, também já me alonguei. Mas o seu comentário lúcido merece que o tenha feito.
Uma vez mais, obrigada e volte sempre.

Ana

Roteia disse...

Estamos entendidos!
Abraços.