quarta-feira, 25 de julho de 2007

Paraíso


Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.
Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!
Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...
Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.
(David Mourão-Ferreira)


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(Pedro Guerra - Deseo)

5 comments:

glaucia disse...

bjuxxx!

Explicando: É com se eu estivesse dizendo Beijos, mas com sotaque da minha terra (Rio de Janeiro/Brasil). Nós arrastamos o S no fim das palavras como se fosse X ou SH. Compreende?

Bjuxxx pra vc!

av disse...

Pronto, tá explicado.

bjuxx tb

JG disse...

Como tudo, mas mesmo tudo, o que David Mourão Ferreira escreveu, este poema é belíssimo.

E agora, falando sério: além de você ter um Emir maior e mais poderoso embora menos guardado que o meu, ainda leva as minhas pontes baloiçantes :))

Tá bem, o que posso fazer. zangar-me consigo seria incapaz. Em alternativa, acho que enviar um bj a mil à hora não está mal.

av disse...

JG,
Obrigada pelo beijo (já cá chegou, vinha a mil à hora...) e pelo perdão pela minha cleptomania no Blog da Sabedoria. Fiquei constrangida e não trouxe as pontes, mas não sei se vou resistir muito tempo.
Também adoro o David, poeta do meu coração.

ana

Mad disse...

O Aznavour era mais feio ainda e é aquela maravilha que a gente sabe...