domingo, 30 de setembro de 2007

Para acabar de vez com a cultura


Parece-me um erro colossal insistir na utopia de uma "cultura europeia" única, aproveitando a onda de anti-islamismo que reúne consensos no Ocidente.
Primeiro, porque a Europa é, irremediavelmente, multicultural. E ainda bem, digo eu. Essa diversidade é, em grande parte, a sua maior riqueza. E segundo, porque tentar amalgamar à força essas diferentes culturas "por oposição a", ou seja, usando como barricada um ódio comum, é perigoso e dúbio. Nunca este tipo de "frente" feita à pressa deu bons resultados, na história da Humanidade.
Nota: Roubei o título deste post a Woody Allen, assumidamente.

6 comments:

A.Tapadinhas disse...

Entrei no mundo dos blogs recentemente. Estou a contactar bloggers com quem julgo ter algumas afinidades. Neste caso é por oposição. Parece-me que a Ana Vidal tem muitas certezas. Eu, pelo contrário, tenho sempre muitas dúvidas, sobre quase tudo. Parabéns, gostei do que vi e li!

ana vidal disse...

Pois engana-se, amigo (a?). Tenho cada vez mais dúvidas, sobre cada vez mais coisas. Mas, de vez em quando, também algumas certezas. E esta não é uma certeza, é uma simples constatação. Seja bem vindo, mesmo em oposição às minhas teorias. Espero que encontre os seus pares na blogosfera e acho que não será difícil, dada a vastíssima escolha.

ana vidal disse...

Ainda para si, A. Tapadinhas: Gosto de saber quem me visita e, como sou curiosa, fui espreitar a sua página. Depois do comentário que me fez, espantou-me encontrar alguém que decreta para si próprio 5 mandamentos e que afirma taxativamente "Tudo aquilo que concorra para me desviar do meu objectivo principal será considerado prejudicial".
Eu, com todas as certezas que me atribui, jamais me atreveria a tanto!

Luis Castilho disse...

Isso é o que se chama umas tapadinhas bem dadas ... Como a Ana bem nota, o escrito classifica-se em reflexões, logo, ... são reflexões, que muito têm ocupado, aliás, os pensadores contemporâneos sobre o destino da Europa. Deixo aqui uma: "Quando me dizem que a Europa é o país do direito, penso no arbitrário, que ela é o país da dignidade humana, penso no racismo, que é o país da razão, penso na fantasia romântica. E encontro a justiça na Pensilvânia, a dignidade humana nos racionalistas árabes, a razão por toda a parte do universo ..." (Duroselle). Como disse Morin na origem da Europa não há um princípio fundador original. Querer unificar culturas ou construí-las na oposição pode ser o magno erro europeu.

ana vidal disse...

Oriana, ou eu me engano muito ou não tarda nada tens o teu próprio blog. Tens sempre muito para dizer, e sabes dizê-lo muito bem. Já pensaste nisso?

Beijinho
ana

ana vidal disse...

Luis,
Obrigada por ajudares a fundamentar as minhas teorias. São reflexões, como notaste, e talvez eu esteja enganada. O que eu queria dizer é que a unificação forçada, e pela negativa, só pode ser um mau princípio. Mas trouxeste outro nível à conversa, disso não há dúvida!!