sábado, 15 de setembro de 2007

My Sweet Lord


Irresistível, este post/quase poema do Lord Broken-Pottery. A mostrar todo o talento que ele tem, até a chorar. Tive que roubá-lo para aqui. Mas ele perdoa-me. Não perdoa, my sweet Lord?
Aqui está:
«Gently Weeping
Hoje acordei querendo ser a guitarra do George Harrison. Gentilmente derramaria lágrimas como há muito não faço.
O primeiro pranto seria por saudades acumuladas, feridas abertas não cicatrizadas. Depois choraria o que não consegui fazer, tempo perdido, desperdiçado, jogado fora, menino preguiçoso desde sempre. Lamentaria então, baixinho, os momentos mal vividos onde, enredado em antecipações, todo expectativa, fui mais uma vez criança. Lastimaria o sono que não dormi, sonhos esbanjados em preocupações tolas. E com cuidado, para que não ouvissem esse carpir silente, derramaria algumas lágrimas de ódio e estaria, finalmente, bem mais feliz.
I look at the world and I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps
(While My Guitar Gently Weeps - George Harrison)»
Já agora junto-lhe este contributo, em jeito de brincadeira. Espero que as lágrimas já tenham secado.

12 comments:

pedro sanchez disse...

Por vezes torno-me egoísta e goataria que pessoas como estas só morressem depois de mim. Mas elas na realidade não morrem, ficam por aí...
E fiquei a ouvir My sweet Lord.

ana vidal disse...

Esta canção é um hino ao ecumenismo. Vem a propósito nestes dias...

Eric Clapton disse...

Muitos pensam ainda que os Beatles foram apenas Lennon e McCartney. Esquecem George Harrison, meu amigo de infância e companheiro até à morte.

"While my guitar gently weeps", uma beleza. Com "Something", a minha preferida, da qual, creio, Elton John disse, há anos, que era uma das melhores composições de Lennon e McCartney. Um lapso, sintomático, que ficou célebre.

Partilho convosco as duas, para completar esta belíssima entrada, que me atraiu, irresistivelmente e preencheu o meu tempo. Gostos. Feitios. Memórias. Vidas.

De muitas gravações possíveis, estas, do "Concert for George" de 29 de Novembro de 2002, no Albert Hall, um ano, precisamente, depois da morte de George. Em que celebrámos, todos, como então disse, "a vida e a música de George Harrison". Para quem, por acaso, não o conheça, recomendo vivamente o CD e, principalmente, o DVD. Em apoio da "Material World Charitable Foundation", fundada por George, em 1973. Com músicos de eleição, em palco. E o filho, Dhani, uma espécie de fotocópia do pai.

http://www.youtube.com/watch?v=FC1EZcrZEIs

http://www.youtube.com/watch?v=RwKTXyF_6B8

Miguel disse...

Mais um comentário/lição do Clapton, aliás Cage.Penso que posso falar pela Ana: esta casa, já de si de fino recorte, ganha com a tua presença.

Mad disse...

E tá tudo dito. Mana, tiveste bem (como sempre). Os comentadores nem se fala.

Mad disse...

Olha lá, ó possidónia, o Criativamente tá armado em T-Club, só por convite? E que tal convidares-me?

:(

ana vidal disse...

Ainda bem que gostaram. Eu gosto muito das músicas do G. Harrison e a minha preferida é também o "Something". Escolhi esta em homenagem ao Lord P-B e porque o Dalai Lama está em Portugal, por isso vinha a propósito, como já disse.

Eric: Thanks for teatching us all. Next time bring your guitar, will you, dear? Be wellcome.

Mad: O Criativamente teve que se tornar um blog privado porque começou a ter muitas moradas e nºs de telefone, e alguns textos MUITO confessionais. É perigoso, alguns são pessoas muito conhecidas. Se eu descobrir a maneira de te convidar, digo. Mas não sei se é possível, só como comentadora.

Miguel: Disseste muito bem, mas eu acrescento - E com a tua também! Traz o violoncelo e faz aqui um dueto com o Eric...

Mario Cordeiro disse...

A música é "para além de", e acompanha-me desde a infância. Mas não acredito em "lords" (só nos de broken pottery) nem em deuses, nem em igrejas ou coisas semelhantes.
Apenas no eprcurso da Humanidade, do tempo em que os animais falavam à Eternidade, multiplicando-nos pelos milhares de bebés que fantasiamos e que, por sua vez, terão milhares de bebés, desdobrando o nosso ADN e garantindo a sua permanência através dos Tempos.
Identidade (rosto e nome)? - quem sabe o nome dos trisavós?
Obras? - perecíveis e finitas. Baixo relevo egípcio. De quem? Who cares?
Apenas a fantaia do ciclo genético aplaina o nosso medo da morte e do abandono.
Os deuses são criados para não termos nós, humanos, que justificarmos a nossa existência e o sentido ético dos nossos actos. E as Igrejas, enquanto sede de dogmas e liturgias, não são mais do que reflexos regressivos rítmicos e neuróticos, que nos fazem voltar à barriga da Mãe e nos securizam (mas castram em termos de autonomia). E também são organizações de formas de poder.
Agora deixo-vos com Vanessa da Mata, Luciana Souza ou JP Simões - vale a pena procurarem e ouvim.
Bom weekend. O Benfica deu um banho de bola. O Rui Costa foi sublime. E eu vou para a cama, que jantares até às sete da manhã, como o que tive ontem, já não são para a minha provecta idade...

ana vidal disse...

Mário, querido, precisas de umas férias (só não me preocupo mais porque ainda falas de futebol...)

Lord Broken Pottery disse...

Ana,
Ficou melhor aqui, na Porta do Vento. Gostei muito. Obrigado! Um dia escreverei sobre a música e a que ela me remete. Já escrevi que para mim, músicas que me são importantes, ficam associadas a determinários cenários e épocas de minha vida.
Grande beijo

RAA disse...

Texto magnífico. Faz justiça à(s) música(s).

ana vidal disse...

Para mim também a música está sempre associada a momentos marcantes da minha vida. Tenho uma memória ligada aos sons que é tão ou mais poderosa que a memória visual. A ponto de ouvir uma música qualquer e invadir-me de imediato, antes mesmo de saber o que (ou quem) ela me lembra, uma emoção boa ou má.
Não passo sem música, nem concebo a vida sem ela.
Ainda bem que gostou, milord.
beijos
ana