terça-feira, 31 de julho de 2007

O eclipse de Antonioni


Por alguma estranha razão, este abrasador final de Julho está a levar-nos os realizadores de cinema da chamada "velha guarda", aqueles monstros sagrados que nos deram tantas e tão boas horas de prazer.
Primeiro foi Ingmar Bergman, agora Michelangelo Antonioni. Morreu tranquilamente em Roma, aos 94 anos - bonita idade, apesar de tudo, que lhe permitiu uma longa vida a fazer aquilo que tão bem sabia fazer e de que tanto gostava. Apesar de ser formado em economia pela Universidade de Bolonha, acabou por apaixonar-se pelo cinema quando se mudou para Roma e estudá-lo a fundo, na Cinecittà, dedicando toda a sua vida a essa paixão, depois disso.
De entre os seus filmes mais conhecidos não posso deixar de destacar Blow Up (1966 - o seu primeiro filme de língua inglesa), um clássico do cinema que nos revela uma surpreendente Jane Birkin ainda muito no início de carreira, contracenando com duas grandes actrizes: Vanessa Redgrave e Sarah Miles. Blow Up deu ao realizador um dos muitos prémios com que foi agraciado - a Palma de Ouro do Festival de Cannes, em 1967.
Ao contrário de Bergman, Antonioni viu o conjunto da sua carreira premiado com um Óscar da Academia, em 1995.
Eclipsou-se assim, sem ruído nem surpresa, depois de muitos anos de uma doença que o impediu, nas últimas décadas, de realizar e de realizar-se.


Principais filmes:

Escândalo de Amor (1950)
O Grito (1957)
A Aventura (1960)
A Noite (1961)
O Eclipse (1962)
O Deserto Vermelho (1964)
Blow-up (1966)
Identificação de uma Mulher (1982)

3 comments:

João Paulo Cardoso disse...

Li qualquer coisa sobre os vultos do teatro morrerem aos três de cada vez.

Faleceram Filipe Ferrer e Henrique Viana e o sangue estancou.

Dona Morte deixou as artes de Talma e voltou-se para a Sétima Arte.

Bergman, Antonioni.
E o sangue estancou.

Ou não?
Quem desempata o jogo que ninguém quer ganhar?

Ou Dona Morte escolherá a seguir mais dois vultos de outras artes?

Ainda bem que sou um pobre sapateiro, ignorado pelas parangonas dos jornais...

Ouviu, Dona Morte?
Sou um desconhecido e reles sapateiro.
Não quero bater as botas.

João Paulo Cardoso disse...

Os restos mortais do comentário acima foram transladados para o "Eldorado", onde ficam postados em câmera ardente.

É a segunda vez que um texto teu, seguido de um meu comentário, neste blog, inspira-me para textos no meu blog e, quem sabe, para teus comentários.

Até fico tonto, mas isso deve ser por causa do desenho no post de baixo.

Bem... o que eu queria dizer é que parece que a "Porta do Vento" me inspira.

Beijos.

ana vidal disse...

Olha que bom, gosto muito de inspirar! E de expirar também, já agora...
Livra, ainda bem que não faço filmes (por acaso até faço, às vezes, mas não são tão importantes que a senhora da foice repare neles).
Fico feliz com esta trasladação e não vou esperar pela missa de 7º dia para ir lá prestar as minhas homenagens. Lá estarei hoje ainda, no velório de luxo que é o Eldorado.
(JP, já tinha estranhado a tua ausência)

beijo
ana